Comércio espera movimento fraco
Ana Carolina Sacoman
De Maringá
Especial para a Folha
Nem a expectativa com a movimentação do vestibular de inverno da Universidade Estadual de Maringá (UEM), que começa hoje e vai até quarta-feira, parece animar os comerciantes da cidade. A maioria aponta a concorrência com as provas em Londrina, na mesma data, como responsável pelas vendas fracas. Outros afirmam que, apesar do aumento no número de inscritos - cerca de 12 mil - grande parte mora em Maringá e região ou então se hospeda em casa de parentes e gastam pouco.
Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Maringá (Acim), Jefferson Nogaroli, o vestibular é importante porque, no mínimo, os estudantes praticam o consumo indireto. Talvez os comerciantes não percebam esse tipo de consumo. Pode ser que a pessoa almoce na casa de parentes, mas mesmo assim, haverá aumento nas vendas dos supermercados.
Ele afirma que, além disso, as inscrições são uma fonte de renda para universidade e, indiretamente, para a cidade. Esse é um valor que acaba circulando no comércio. Isso sem contar o setor de transporte urbano e táxis, que registram grande procura, diz.
Nos restaurantes self-service, bastante procurados por estudantes, a expectativa não é animadora. A gerente de um estabelecimento, Fátima Furuchi, espera um aumento de apenas 12% no número de refeições servidas diariamente. O movimento praticamente não muda. Quem não é daqui, ou almoça em hotel, ou vai para Londrina fazer as provas na parte da tarde e lancha por lá. O meu lucro é com a clientela fixa, diz. Já o proprietário de Hotel Hugo César Freitas Furlan reserva apenas 60% da capacidade do local para os vestibulandos. Prefiro dar a preferência para os clientes tradicionais.
Furlan afirma que o vestibular não é a época mais movimentada, perdendo para o mês de maio, quando acontecem vários eventos na cidade, como a Expoingá. Apesar das vagas reservadas aos estudantes terem se esgotado há três meses, eles ficam apenas quatro dias, não é um movimento constante. Ele também credita boa parcela do descontentamento do comércio à concorrência com Londrina. Muita gente acaba optando por um dos dois vestibulares. Se as provas fossem em datas diferentes, seria melhor para todos.
Mesmo quem deveria lucrar com a concorrência londrinense não se entusiasmou este ano. A proprietária de uma agência de viagens que faz o deslocamento de vestibulandos entre as cidades, Rosemeiry Volpato, afirma que há seis anos, quando começou, a empresa usava seis ônibus para o transporte. Hoje são dois, com lugares vazios. Atualmente faço isso mais pela divulgação da empresa. Com o aumento dos combustíveis e os pedágios, o lucro é tão pequeno que nem compensa, lamenta.





