Comércio e indústria negociam preços após aumento de tarifas
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sexta-feira, 09 de julho de 1999
Por Vera Dantas 
São Paulo, 10 (AE) - A queda-de-braço entre a indústria e o comércio para reajustar ou não preços a partir de agora deve complicar-se. As empresas vão começar a discutir o repasse de aumentos de várias tarifas que pesam no custo final dos produtos
como de energia elétrica, água, telefone e de combustíveis, além da CPMF. E a maioria já deixa claro que pelo menos parte desses aumentos vai ter de ser repassada, porque não é mais possível absorver esses custos na margem.
O impacto dos aumentos ainda está sendo avaliado pelas empresas, mas ninguém espera uma explosão de preços. A indústria de alimentos, por exemplo, calcula que o aumento de custos deve ser pequeno e ficar em torno de 2%.
A conjuntura da economia mudou desde o início do ano. Em março, a expectativa era de uma queda no nível da atividade econômica de 4% no PIB. Hoje, acredita-se que esse número não supere 1%. As taxas de juro básicas, que chegaram a 45% ao ano, já baixaram para 21% e o desemprego, embora alto, parou de crescer e apresenta discreta tendência de queda para o segundo semestre.
Os dados do comércio, diferentemente do início do ano, também começam a mostrar retomada do ritmo da atividade produtiva. As consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), por exemplo, termômetro das vendas a prazo, cresceram 18,8% no mês passado em relação a idêntico período em 98.
Empresários de indústrias de porte como Sadia, LG Eletronics, Bombril-Círio e representantes de setores como a Fiesp e a Associação Brasileira de Supermercados estão confiantes na melhoria gradativa da atividade econômica, nos próximos meses. Mas também estão convencidos de que não será fácil repassar reajustes porque a concorrência entre as empresas é grande, o assalariado está com o poder aquisitivo defasado e mais atento a preços.


