Comércio começa a baixar juros ao consumidor
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quarta-feira, 14 de abril de 1999
Por Vera Dantas 
São Paulo, 15 (AE) - A queda na taxa básica de juros, anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), de 39,5% para 34% ao ano, deverá ter reflexo maior no financiamento oferecido no varejo a partir da próxima semana. Mas hoje a rede Ponto Frio, com 240 lojas, já começou a vender a crédito com com juros mais baixos.
Numa estratégia de marketing, no mesmo dia que o Copom reduziu a taxa básica, o Ponto Frio divulgou que, antecipando-se ao mercado, havia decidido reduzir suas taxas. A rede anunciou redução de 6,5% para 4% no crediário em quatro vezes, de 8,8% para 6% em sete vezes e de 9,99% para 8,5% ao mês nas compras em até 13 vezes.
Segundo o diretor de Marketing e Vendas da empresa, Mauro Multedo, a decisão foi tomada porque a rede, com um estande na Feira de Utilidades Domésticas (UD), teve um grande volume de vendas no fim de semana em São Paulo e deseja manter esse movimento.
"A reação do consumidor foi muito boa e imediata após o anúncio, porque já registramos nas lojas de Brasília e Belo Horizonte um aumento de 15% nas vendas em relação ao dia anterior," disse Multedo.
Outras redes informavam hoje que ainda estavam estudando a possibilidade de redução e analisando a concorência como a Arapuã e a Lojas Cem. "Estamos com taxas que consideramos boas, mas se o mercado reduzir muito vamos acompanhar", dizia o diretor das Lojas Cem Giácomo Dalla Vecchia.
Ele está oferecendo taxas que variam de 4,5% ao mês para cinco pagamentos até 7% para 13 pagamentos. "Estamos com queda de vendas de 10% em relação a abril do ano passado," disse. Poucas instituições financeiras reduziram as taxas de juros cobradas do consumidor ontem. Além disso, os cortes que ocorreram foram tímidos. O Citibank cortou a taxa de leasing prefixado de 3,86% para 3,5% ao mês para prazo de pagamento até 36 meses. No HSBC, que muda suas taxas diariamente, o juro máximo do crédito pessoal de 6,50% recuou para 6,20%. Mas bancos e financeiras prometem mexer em suas taxas a partir da semana que vem. O diretor de Produtos do Unibanco, Rogério Estevão, afirma que é praticamente certo que ocorra redução de juros na semana que vem. O Banco Fiat, que trabalhava com taxas de 3,39% a 3,49% ao mês, baixou ontem os juros para 2,81% a 2 98%, voltando aos índices cobrados em dezembro. Pesquisa feita pelo Procon-SP entre 8 e 9 de abril mostra que, em relação ao mês anterior, os juros já vinham caindo. A taxa média cobrada do cheque especial caiu de 11,22% em março para 11 06% ao mês. Nessa modalidade de crédito, o juro mais salgado era cobrado pelo Banco Real, 13,40% ao mês. Essa mesma instituição cobrava a menor taxa no empréstimo pessoal, 5,20%. Segundo Marcos Silvestre, economista-chefe da Forex - Centro Brasileiro de Orientação em Finanças Pessoais, as taxas cobradas em todas as modalidades de crédito ao consumidor continuam escorchantes. Por isso, a recomendação do especialista é que o consumidor, sempre que possível, evite recorrer a elas. Até porque a expectativa é que o governo imprima um ritmo cada vez mais acelerado à queda de juros. Ele considera que a partir de segunda-feira mais instituições financeiras deverão reduzir os juros e de forma mais acentuada. Pelas estimativas de Silvestre, até o fim do ano, o juro básico da economia deverá estar por volta de 20%. Com esse nível de juro ele acredita que a taxa do cartão de crédito e do cheque especial deverá ser de 7,4%, a do empréstimo pessoal, de 4,2%, e a do crediário, de 3,7%. Para o presidente da Associação Comercial de São Paulo, Alencar Burti, o governo baixou o juro diante da perspectiva da recessão. "A notícia refletiu-se positivamente no mercado e acho que a tendência é de as lojas começarem a cortar taxas a partir da próxima semana para não perder mercado", disse. Mas na sua opinião esse corte deve ser pequeno porque a taxa de risco embutida no juro (inadimplência) ainda é alta. Em relação às vendas, Burti está convencido de que o anúncio do governo vai evitar que elas piorem.


