Brasília, 24 (AE) - As exportações e importações brasileiras para a Argentina sofreram uma redução média de 27,6% de janeiro a agosto deste ano, comparativamente com o mesmo período de 1998. De acordo com números apresentados hoje pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, nos primeiros oito meses deste ano o Brasil exportou para a Argentina US$ 3,384 bilhões, enquanto que em igual período do ano passado este volume havia alcançado US$ 4,627 bilhões. Isso representou uma queda de 26,86%.
Pelo lado das importações, nos primeiros oito meses deste ano o Brasil importou US$ 3,796 bilhões, enquanto que, no mesmo período do ano passado, as importações somaram US$ 5,304 bilhões. A queda neste caso foi de 28,41%. "Houve uma retração comercial dos dois lados", analisou o secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), embaixador José Botafogo Gonçalves.
Apesar da queda, o déficit comercial do Brasil com a Argentina foi reduzido. Enquanto entre os meses de janeiro e agosto do ano passado o saldo desfavorável ao Brasil ficou em US$ 676,35 milhões, no mesmo período deste ano o déficit soma US$ 412,458 milhões. O assunto foi discutido ontem, na primeira reunião da Camex presidida pelo ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias.
Segundo o secretário-executivo da Camex existe uma tendência, que vem se fortalecendo, de uma "menor dependência" por parte das exportações brasileiras dos mercados tradicionais, como o Mercosul e os países da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi). "Temos crescido nossos volumes exportados para mercados como o dos Estados Unidos, Europa, Japão e mesmo para o Oriente Médio", disse.
Compensação - A queda nas exportações de alguns produtos brasileiros, como aqueles vinculados ao mercado de commodities, vem sendo parcialmente compensada pelo bom desempenho de outros produtos que não têm participação tradicional em comércio exterior, explicou Botafogo.
Ele disse que levantamento feito por meio do Programa Especial de Exportações (PEE), durante este ano, indica que além dos 10 setores que já vinham manifestando crescimento nas exportações (frutas, indústria aeronáutica, computadores, carne bovina, carne de frango, derivados de petróleo, produtos farmecêuticos, madeira industrializada, metais não-ferrosos e vidro), outros sete setores surpreenderam com o bom desempenho.
Entre esses novos, Botafogo citou os sucos de frutas tropicais, cujas exportações cresceram 21,3% (com exceção de laranja); pescado, 17,1%; cachaça, 9,2%; móveis, 7,5%; papel e celulose, 1,4%; açúcar e álcool, 1,1%; e chocolates e produtos de confeitaria, que cresceram 0,8% nos primeiros oito meses deste ano. Segundo ele, esses 17 setores responderam por 27,1% do total das exportações do País feitas nos primeiros oito meses deste ano.
Botafogo disse que através do Programa Especial de Exportações também foi possível detectar quais os setores que vêm tendo sua participação reduzida no comércio exterior, em função da crise que se abateu sobre os países latino-americanos, principais compradores de produtos brasileiros com maior valor agregado. Segundo Botafogo, entre esses produtos estão os da indústria mineral, café, óleo e farelo de soja, grãos de soja, calçados, químicos, siderúrgicos acabados, suco de laranja, motores e autopeças, entre outros.
Ele também citou uma lista de 42 setores, integrantes do Programa Especial de Exportações, que tiveram desempenho negativo nos primeiros oito meses deste ano nas exportações. Nesta lista estão: madeira em bruto (-68,8%); tratores (-55,9%); automóveis de passageiros (-45,8%); máquinas de uso agrícola (-45,2%); carne de suíno (-26,7%); e tecidos (24,8%), entre outros.
Viés - O secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior disse que a questão da revisão do saldo da balança comercial foi apresentada ontem para o ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias. O embaixador explicou que não houve discussão detalhada sobre o assunto, mas sim uma indicação para o ministro de que existe "um viés de baixa" para o saldo da balança comercial este ano.

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