Rio, 27 (AE) - O comércio carioca vai aguardar o início do ano 2000 para começar as liquidações de estoques encomendados para o Natal, informam dirigentes do setor e diretores de shoppings do Rio. O diretor-presidente da Associação dos Amigos e Adjacências da Rua da Alfândega (Saara), Ênio Bittencourt, disse que os descontos oferecidos pelos comerciantes afiliados à entidade, na principal área de comércio popular do centro do Rio
não deverão ser muito grandes.
"Pelo preço que está hoje dá para oferecer, no máximo, de 5% a 10% de desconto", calculou Bittencourt. Ele justificou o desconto pequeno lembrando que os comerciantes já reduziram o preço antes do Natal para aumentar as vendas. Por causa desta estratégia, o movimento do comércio do Saara, em termos de público, foi "maravilhoso", mas em termos de faturamento, "horroroso", segundo o presidente da entidade. Ele calculou que os comerciantes da região atenderam 30% a mais de público do que no ano passado, mas faturaram 20% menos.
Os números absolutos do faturamento não foram fornecidos pelo comerciante. "A gente não tem a estatística e quem tem não fala", brincou. Os artigos mais procurados foram roupas populares e brinquedos a R$ 1,99. A liquidação prevista para o início de janeiro não significa que houve encalhe dos estoques afirmou Bittencourt."Nós trabalhamos sempre com estoques altos", justificou.
Shoppings - Os lojistas dos shopping centers ainda vão contabilizar o resultado do Natal antes de iniciar as liquidações, segundo as administrações de dois dos mais importantes da cidade, o Rio Sul, em Botafogo, na zona sul, e o BarraShopping, na Barra da Tijuca, na zona oeste. No Rio Sul, a liquidação tradicionalmente acontece em março - mas alguns comerciantes podem iniciar a queima dos estoques a partir da semana que vem. O BarraShopping também não tem um movimento organizado de descontos em suas lojas previsto para esta semana.
O shopping da Barra da Tijuca informou que o aumento de vendas foi de 20% neste Natal em comparação com 1998. A gerente de marketing do BarraShopping, Daniela Mignani, calculou que 3,3 milhões de pessoas estiveram nas lojas do empreendimento - 200 mil pessoas a mais do que no ano passado. A média de gastos por consumidor passou de R$ 80 para R$ 108. O BarraShopping aumentou neste ano em 25% suas vendas.
No Rio Sul, os números ainda não estão fechados - mas a expectativa de público para o mês é de 2,8 milhões de pessoas - 12% a mais do que em dezembro de 1998. A previsão da administração é de aumento de 20% das vendas - resultado para o qual contribuíram muito a inauguração da Lojas Renner, no lugar da Mesbla, e outros estabelecimentos no espaço antes ocupado pela C&A. Os gastos médios por consumidor devem chegar a R$ 146.
Sendas - O presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) e da rede de Supermercados Sendas, a maior do estado, Arthur Sendas, evitou falar sobre liquidações. De acordo com os assessores de Sendas, só vai ser possível fazer uma previsão sobre o assunto depois que sair o resultado das vendas das empresas ligadas à entidade e da Sendas, ambas previstas para quarta-feira.

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