São Paulo, 7 (AE) - O comércio espera ter neste sábado o melhor dia de faturamento do mês com a venda de presentes para o Dia das Mães. A data é considerada a segunda melhor do ano para o setor, depois do Natal. O movimento esteve mais fraco até quinta-feira e aumentou muito hoje, prejudicando os balanços prévios e estimativas desta época.
As consultas ao Serviço de Central de Proteção ao Crédito (SCPC), indicador das vendas a prazo, entre segunda e quinta-feira estavam com queda de 3,1% em relação a idêntico período em 98. As consultas ao Telecheque, termômetro das vendas à vista, mostravam redução de 12,8% na mesma comparação.
"Os números estão atípicos e esperamos concentração de vendas entre hoje e domingo," disse ontem o economista Emílio Alfieri, da Associação Comercial de São Paulo.
No acumulado do mês, de 1º a 6, os números indicam outros resultados. O SCPC aparece com alta de 6,4% ante maio de 98 e o Telecheque, com queda de 9,7%. Alfieri tem restrições a esses números, por causa do chamado efeito calendário. O dia 1º de maio, feriado, caiu neste ano num sábado, considerado o melhor dia da semana para o comércio.
No ano passado, o feriado caiu numa sexta-feira e o sábado, dia 2, teve grande movimento, o que não ocorreu este ano.
Esses fatos, segundo Alfieri, prejudicam os resultados. Na comparação com o mesmo período, no mês passado, os dados ficam mais distorcidos, pondera, porque a Semana Santa, este ano
foi entre 1º e 5 de abril. Por isso, o SCPC aparece com crescimento de 70,8% e o Telecheque, de 30,9%. "É evidente que não existe essa explosão de vendas," disse.
A expectativa dos shoppings, que investiram este ano R$ 4,23 milhões em promoções e campanhas, é de crescimento médio de 5% em relação ao mesmo período do ano passado. "Muitas empresas pagaram salários entre entre quinta e sexta-feira; o clima esfriou e mais de 60% das lojas de shoppings são de vestuário," disse o presidente da Associação dos Lojistas de Shopping, Nabil Sahyoun.
Há shoppings mais otimistas. O Center Norte, que investiu R$ 500 mil na campanha, espera crescimento de 12% em relação ao ano passado. No Tatuapé, a expectativa também é de aumento de 12%.
Nas lojas de eletroeletrônicos e eletrodomésticos, o movimento durante a semana já estava melhor do que no mês passado. No Magazine Luíza, segundo o diretor-comercial da rede, Eldo Moreno, esperava fechar maio com um aumento de vendas de até 5% ante o ano passado.
Além dos lojistas, há outros setores que aproveitaram a oportunidade para investir na data. O Unibanco, por exemplo, abriu uma linha de financiamento com prazo de até 15 meses e juros de 4,9% ao mês, abaixo dos 6% cobrado pelo banco, para atender à demanda do Dia das Mães. A expectativa é de um aumento de 30% a 40% nas operações de crédito pessoal.
O Bradesco oferece até o dia 31 linha de crédito também com juros mensais de 4,9%. Para se diferenciar dos outros e desestimular a inadimplência, o banco isenta do pagamento da última parcela quem pagar sem atrasos as 11 primeiras prestações do empréstimo. A previsão do diretor-executivo do Bradesco, Antonio Fernando Burani, é fechar mais de 80 mil operações nessa linha.
No Banespa, a linha oferecida para essa ocasião, que se estende até o dia 12 , também tem juros de 4% a 4,8%, dependendo do relacionamento do cliente com o banco, e prazos de até 12 meses. A intenção é ampliar em 10% os financiamentos.

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