O horário diferenciado de abertura do comércio de Maringá, defendido por empresários do setor e transformado em lei há cerca de seis anos, se torna agora o principal ponto de discórdia da categoria. A questão passou a ser polêmica ano passado, quando donos de lojas de shopping conseguiram na Justiça liminar garantindo a abertura aos domingos. Além da resistência natural do sindicato que representa os empregados, os lojistas de shopping enfrentam agora problemas com outros comerciantes que não admitem o livre comércio aos domingos.
‘‘Os comerciantes estabelecidos fora dos shoppings são a maioria no sindicato. Por isso, até pensamos em abrir uma nova entidade, mas a lei não permite’’, explica o presidente da Associação dos Lojistas do Aspen Park, Gilberto Capeleto. Atualmente, 30 lojas do Shopping Aspen Park, um dos maiores da cidade, estão com processo na Justiça do Trabalho para a abertura aos domingos.
Elas tentam os mesmos direitos de abertura das oito lojas que já funcionam no shopping. ‘‘É difícil para estes comerciantes entenderem que o perfil do nosso consumidor é diferente e não irá afetar o movimento das demais lojas da cidade’’, ressalta Capeleto.
A alternativa judicial também faz parte dos planos dos lojistas do Avenida Center, outro shopping da cidade em fase de ampliação, que pretende abrir aos domingos. O representante dos lojistas do Avenida Center, Manuel Messias da Silva, que é diretor da Área de Shopping do Sindicato do Comércio Varejista de Maringá (Sivamar), acredita apenas em vantagens quando se fala na abertura diferenciada. ‘‘O consumidor da região é o nosso principal alvo e além disso, a abertura dos domingos irá ampliar a contratação de funcionários’’, diz Silva.
Enquanto os comerciantes não se entendem, o presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Maringá (Sincomar), Cícero Moreira dos Santos, espera uma posição da própria Justiça para a questão. ‘‘Devemos lembrar também que a abertura sem um acordo com o sindicato é impossível e ilegal’’, ressalva. Para Santos, o funcionamento das lojas em pleno domingo é um desrespeito aos empregados e principalmente, à Constituição. ‘‘Em nossa assembléia, os funcionários de lojas de shopping foram contra a abertura’’, completa.
Segundo o vice-presidente do Sivamar, José Rubens Abrão, independente da lei municipal que autoriza a abertura do comércio em horário diferenciado, o parecer retirado da assembléia realizada pela entidade há 15 dias, decidiu não apoiar a abertura de shoppings e comércio aos domingos.
Abrão acredita que o ideal para os comerciantes seria a abertura aos sábados até às 18 horas, como já acontece uma vez por mês. Nos demais sábados, o comércio fica aberto até ao meio-dia. Os horários diferenciados funcionam apenas em datas especiais. ‘‘Essa questão do sábado irá entrar na pauta da reunião na próxima semana entre o Sivamar e o Sincomar’’, conta o vice-presidente da entidade.
Entusiasta da questão, o superintendente do Aspen Park, Cláudio Melo, apresenta números que, segundo ele, justificam a abertura das lojas aos domingos. ‘‘Quando se abre aos domingos, as vendas aumentam em 10 a 15% dentro do mês’’, diz. Além disso, acrescenta Melo, cerca de 60% dos consumidores que visitam o Aspen aos domingos são da região. ‘‘Não estamos tirando nada de ninguém. Ao contrário, estamos acrescentando recursos para a própria cidade’’, afirma. O objetivo do Aspen Park é abrir 40 lojas aos domingos nos próximos 90 dias.
Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Maringá (Acim), Jeferson Nogaroli, a liberdade de ação empresarial e o movimento natural provocado pela lei de oferta e procura determinam a questão do horário diferenciado. ‘‘Sou a favor da liberdade. O ato de abrir ou fechar deve ser avaliado pelo próprio empresário’’, argumenta.
Como supermercadista, Nogaroli não vê com bom olhos a abertura aos domingos. ‘‘O nível de consumo é o mesmo e o aumento de mais um dia iria apenas dividir as vendas’’, acrescenta.
Como vice-presidente da Federação das Associações Comerciais do Paraná (Faciap), Nogaroli acredita que a abertura aos domingos enfraquece o comércio das pequenas cidades.
‘‘Maringá como cidade-pólo deve se preocupar com esta questão. Acho que a luta pelo aumento de renda da população deve ser prioridade, pois é evidente que renda melhor gera consumo e aquecimento das vendas’’, diz.

mockup