Comerciantes reivindicam adequações na Duque
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 14 de março de 2013
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 
Londrina - Comerciantes e integrantes do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) discutem hoje um projeto de melhoria no sistema viário da Avenida Duque de Caxias, na área central. A principal reclamação dos empresários é a falta de vagas de estacionamento para clientes depois da implantação da faixa exclusiva de ônibus, em julho de 2010.
A dificuldade em estacionar em uma das principais vias comerciais de Londrina tem causado uma diminuição significativa nas vendas do comércio e o fechamento de várias empresas. Segundo levantamento feito pelos próprios empresários, cerca de 60 lojas fecharam as portas nos últimos três anos no trecho de 1,3 quilômetro de faixa exclusiva, que vai da Avenida Leste-Oeste a JK.
"O meu movimento diminuiu 80%. Antes você tinha as calçadas cheias de gente andando de um lado para o outro. Hoje quem ainda não fechou está quebrando", afirmou Aparecido Magalhães, proprietário de uma loja de tintas há 17 anos.
Luiz Antônio de Oliveira tem uma loja de móveis usados e precisou construir uma rampa em uma das portas do estabelecimento para fazer carga e descarga das mercadorias. "Os clientes reclamam muito da falta de vagas para estacionar. As minhas vendas caíram pelo menos 30%", apontou.
O comerciante Pedro Stier, de 74 anos, é um dos mais antigos da Duque de Caxias. Há quatro décadas ele administra um armarinho e observou toda a transformação da avenida. "O movimento aqui caiu demais. Ainda bem que já estou quase parando", brincou. Steir viu os vizinhos, uma lotérica e uma revenda de couros, fecharem as portas em virtude da queda no número de clientes.
A desvalorização dos imóveis também é uma marca da atual Duque de Caxias. Com um breve passeio pela via é possível constatar inúmeras placas e cartazes anunciado prédios para venda e aluguel. "Estou tentando alugar um imóvel há mais de um ano. Já baixei o preço pela metade e ninguém quer", lamentou o comerciante Nilton Roberto de Paula, de 54 anos.
"Sem o estacionamento a avenida virou uma pista de corrida. Está muito perigoso passar por aqui", acrescentou o advogado Juvaldir Bilhão, de 69 anos.
A maioria dos comerciantes consultados pela FOLHA entende que uma forma de amenizar o problema é rever os horários da faixa exclusiva de ônibus e implantar a Zona Azul nas ruas transversais. "Passam poucos ônibus aqui. Poderia estipular das 7h às 9h e das 17h às 19h e nos outros horários liberar", indicou Aparecido Magalhães.
As ruas transversais, Pará, Espírito Santo e Alagoas, possuem 80 vagas, no trecho entre a Brasil e a Mato Grosso. Os espaços estão sinalizados com a obrigatoriedade do uso do cartão da Zona Azul, mas como não há fiscalização, a rotatividade de veículos não acontece.
"Realmente ali não há fiscalização. Temos dificuldades para contratar mais funcionários e estamos estudando algumas alternativas para esta região juntamente com a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU)", explicou Wellington Marcati, coordenador da Zona Azul.
O presidente do Ippul, Robinson Borba, reconhece a importância histórica da Duque de Caxias como via comercial de Londrina. Para ele, são necessárias ações para inverter o processo de deterioração da avenida e a solução será discutida junto com a comunidade local.
"Todas as reivindicações dos empresários serão levadas para o Ippul e CMTU. Vamos pensar todas as alternativas de forma coletiva", garantiu. Sobre a possibilidade de se retirar a faixa exclusiva para ônibus, Borba adiantou que esta é uma situação que pode ser revista.
"Nada é definitivo. Vamos estudar alternativas para a carga e descarga, implantação da Zona Azul, para os horários dos ônibus. Vamos buscar soluções que atendam os interesses do comércio e também do trânsito da cidade", ressaltou o presidente do Ippul.
Duplicação
Borba informou que o Ippul aguarda a aprovação do Plano Diretor para voltar a discutir sobre o projeto de duplicação da Duque da Caxias, no trecho entre a JK e a BR-369. Ele esclareceu que não há ainda um custo estimado para a obra, mas acredita que é possível viabilizá-la financeiramente. "Acho que é possível iniciá-la dentro desta gestão", afirmou.


