Rio, 24 (AE) - Comerciantes que perderam suas lojas no incêndio do Mercadão de Madureira, há dez dias, reuniram-se hoje com o governador Anthony Garotinho para pedir apoio. Garotinho solicitou o recadastramento de todos os lojistas para depois decidir quanto o governo destinará para a reconstrução do local - maior centro de comércio popular carioca.
O síndico do Mercadão, Renildo Miranda, disse estar satisfeito com a ajuda que os lojistas vêm recebendo do Ministério do Trabalho. Segundo ele, todos os trabalhadores que tinham carteira assinada seis meses antes do incêndio estão recebendo salário. Dias após o incêndio, o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, propôs o cancelamento dos contratos dos funcionários, que receberiam salário-desemprego por quatro meses e depois seriam readmitidos.
"Ele está cumprindo o que prometeu, se não fosse por essa ajuda, não saberíamos o que fazer, porque não teríamos como pagar indenizações", disse Renildo Miranda. A prefeitura estima que cerca de dois mil trabalhadores serão beneficiados.
Hoje à tarde, lojistas, funcionários e representantes do Ministério do Trabalho se encontraram para debater a questão dos salários. "Infelizmente, não conseguimos estender os benefícios aos demais trabalhadores", lamentou o comerciante João Rodrigues de Andrade Neto, que empregava dezessete pessoas em sua loja.
Para o síndico, "o interesse que os governos federal, estadual e municipal têm dispensado ao Mercadão é justificado". "Nós somos campeões em arrecadação de impostos, por isso todos perdem enquanto não estivermos trabalhando", afirmou. Ele está "esperançoso" quanto à reconstituição do local. Segundo a subprefeitura de Madureira, o centro arrecadava aproximadamente R$ 1,5 milhão por mês em Imposto sobre Serviços (ISS). As obras de demolição do que sobrou do incêndio - que destruiu 378 lojas e deixou pelo menos 8 mil desempregados - começaram há uma semana. De acordo com cálculos da prefeitura, a recuperação das lojas deve ser finalizada em até cinco meses.

mockup