Comerciantes de SP mais pessimistas em agosto; nota ao real cai para 4,25
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sexta-feira, 20 de agosto de 1999
Por Denise Carvalho 
São Paulo, 21 (AE) - Os comerciantes de São Paulo estão mais pessimistas em agosto com relação à atual situação econômica, e principalmente quanto ao futuro das empresas e do País. Dos empresários paulistas entrevistados, 29,41% acreditam que a situação do Brasil em agosto, em comparação a julho, está pior. Segundo a percepção de 11,25%, as condições do Brasil estão melhores do que no mês passado, quando 15,26% achavam isso. Para 57,09% dos entrevistados, a situação está igual. Em julho, 50% dos comerciantes tinham essa opinião.
Por conta do pessimismo, a nota ao Plano Real também caiu, de 4,41, em julho, para 4,25 em agosto, a menor já atribuída desde a sua implantação. A variação é pequena, mas acumula o sentimento de reprovação desde a desvalorização do câmbio. Estes indicadores estão na Pesquisa de Opinião do Comércio (POC), realizada pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP), e divulgada em parceria com o Infocast, da Agência Estado.
Segundo o economista da FCESP, Fábio Pina, a pesquisa, embora apresente dados negativos, ainda não revela o sentimento do empresariado do comércio de São Paulo com relação à briga dos agricultores com o governo federal, os problemas da base política do governo e o agendamento de novas greves e manifestações. "Sem contar que o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, apesar de não ter caído tanto quanto se esperava, não registra crescimento há dois anos.
O empresário acredita que, se a situação não se mostra tão ruim, no futuro estará pior", afirmou Pina. Para o economista, o repique inflacionário que deve se manter em agosto é uma das razões da avaliação negativa ao Plano Real, além da desconfiança do empresariado quanto à capacidade do governo de encontrar soluções para os problemas políticos e econômicos. A pesquisa FCESP-AE também mostra que os comerciantes paulistas não apostam numa melhora das empresas e do País nos próximos 12 meses.
Em agosto, para 26,30% dos empresários, a situação do Brasil estará pior, sendo que em julho, 22,46% acreditavam nessa hispótese. O número de entrevistados que confiam na melhora do País no próximo ano também caiu, de 31,58%, em julho, para 23 70% em agosto, enquanto 39,27% dos comerciantes acham que a situação estará igual, ante os 34,39% que acreditavam nisso no mês passado. Empresas - Para as empresas, as expectativas também não são animadoras. Caiu de 45,4%, em julho, para 36,85% em agosto, o percentual de comerciantes que confiavam na melhora de suas empresas nos próximos 12 meses. E aumentou a avaliação "pior" no próximo ano, de 17,72%, em julho, para 20,59% este mês. Fábio Pina acredita que o segundo semestre ficou muito aquém do que se esperava depois da desvalorização do real. "A reação espetacular das exportações não aconteceu. E já estamos terminando o terceiro trimestre", disse o economista.


