Comerciantes da feira dos nordestinos criticam transferência
Rio, 13 (AE) - O presidente da tradicional feira dos nordestinos de São Cristóvão, Agamenon de Almeida, vê com reservas os planos da prefeitura para o local. Ele rechaça a idéia de os feirantes serem transferidos do Campo de São Cristóvão para a Avenida Brasil, como propõe o prefeito Luiz Paulo Conde.
"Estamos ali há 54 anos e não podemos ficar órfãos de nosso ponto de encontro", disse o cearense de 51 anos - 18 deles como feirante. "São 9 mil empregos e 60 mil visitantes que serão perdidos caso as barracas sejam deslocadas". Aos sábados e domingos, a feira atrai nordestinos, cariocas e estrangeiros que dançam forró, comem pratos típicos e compram artesanato. Ou simplesmente matam a saudade do Nordeste.
"Já servi muito turista que foi ao Nordeste e voltou implorando para comer um determinado prato de novo", disse Francisca Dias, a Chiquita, de 37 anos. Ela diz não cogita a hipótese de sair do campo. "São 20 anos de feira, é a minha vida que será paralisada".
Segundo Almeida, a área escolhida pela prefeitura para abrigar as barracas não é apropriada. Ele acha que a a Avenida Brasil é muito perigosa e, por isso, "inviável para as famílias". O feirante lembra que a lei municipal n.º 2.052, de 1993, garante a permanência da feira do Campo de São Cristóvão. "O prefeito tem de ser sensível a isso".
Conde, no entanto, classificou a lei de demagógica e disse que a mudança de local não prejudicará a feira. "Todos serão consultados quando começarem as obras". (R.P.)





