Buenos Aires, 01 (AE) - Para o comércio argentino, o ano 2000 começou pior que 1999: em janeiro, as vendas nos supermercados caíram 2,9% em relação ao mesmo mês do ano passado. Em relação a dezembro de 1999, a queda em janeiro foi de 25,5%. Os índices foram divulgados pelo Instituto de Estatísticas e Censos (Indec). O faturamento dos supermercados diminuiu de US$ 1,48 bilhão em dezembro, para US$ 1,10 bilhão em janeiro.
Os shoppings também foram atingidos: suas vendas foram reduzidas em 7,1% em janeiro, em relação ao mesmo mês do ano passado. Analistas consideram que a crise nos supermercados e shoppings é maior do que parece, se for levado em conta que ao longo do último ano foram inauguradas mais filiais. Desta forma, calculam, a queda real das vendas seria de 10%.
Uma pesquisa da Câmara Argentina de Comércio (CAC) indica que 61% dos pequenos comerciantes consideram que enfrentou um começo de ano pior que o do ano passado. A Câmara atribuiu a queda nas vendas aos aumentos nos impostos causados pela reforma tributária. Para o economista Miguel Solanet, o pacote tributário é o principal obstáculo para sair da recessão.
Na mesma pesquisa, 43% dos comerciantes consideram que nos próximos três meses não haverá mudanças na atual situação. Somente 22% acreditam que o panorama poderá melhorar. No entanto
o presidente da CAC, Jorge Di Fiori, é otimista, e afirma que "parece que estamos entrando em um período de recuperação".
O ministro da Economia, José Luis Machinea, declarou que "não é simpático aumentar impostos", mas que não havia outra saída para reduzir o déficit fiscal. Segundo o ministro, a economia do país crescerá 4% este ano.