Comerciante se retrata por discriminar homossexual
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 07 de julho de 2004
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
''Aceitar o homossexualismo é uma opção, mas respeitar é um dever''. Foi pensando assim e para garantir o direito de ser respeitado que o funcionário público Mário Alves de Oliveira, de 38 anos, registrou uma queixa na 10 Subdivisão Policial de Londrina (SDP) contra um bar, onde foi discriminado por sua opção sexual. Ontem, depois de um acordo com o proprietário do estabelecimento, ele teve uma nota de retratação publicada na Folha. ''A retratação repara o constrangimento e acho que é um exemplo para que as pessoas não deixem de procurar seus direitos'', ressaltou.
O fato aconteceu em novembro do ano passado, no Bar Canto Livre, na Área Central da cidade. Segundo Oliveira, ele e seu companheiro há um ano, o também funcionário público Sílvio Cássio dos Anjos, de 34 anos, estavam no bar acompanhados por amigos. ''Como qualquer casal, estávamos de mãos dadas e fazendo carinhos. Um dos garçons veio na nossa mesa e falou que eu não poderia ficar ali, fazendo isso, que aquele era 'um bar de família'. Fiquei constrangido e pedi a conta'', disse.
Quando o garçom levou a conta, Oliveira pediu a ele que explicasse aos amigos porque não poderia ficar ali. ''Meus amigos não estavam entendendo porque eu estava indo embora, mas depois do que o garçom falou, todos nós fomos embora'', contou. No dia seguinte, Oliveira procurou a delegacia e prestou queixa. Há algumas semanas, o proprietário do bar o chamou para a tentativa de um acordo. Com a publicação da retratação, Oliveira optou por retirar a queixa.
Na nota de retratação, assinada por André P.K, gerente do bar, admite-se que houve discriminação: ''O Bar Canto Livre (...) vem à público retratar-se perante a sociedade em geral e, em especial, ao Sr. Mário Alves de Oliveira por ter agido de maneira preconceituosa e discriminatória em relação às pessoas de orientação sexual homossexual. Admite (...) o reconhecimento do direito das pessoas em serem respeitadas por sua orientação sexual seja ela qual for (...)''.
Ontem, a reportagem da Folha procurou o proprietário do bar, mas ele preferiu não se identificar e deu por encerrado o assunto com a publicação da nota de retratação.


