São Paulo, 13 (AE) - A mulher do ex-fiscal da Administração Regional da Sé, Wagner Leonardo, a comerciante Amazília Lopes Rodrigues Leonardo, reafirmou, em depoimento à polícia, que viu envelopes com propinas serem destinados para o comitê eleitoral do prefeito Celso Pitta (sem partido), em 1996. Após ter prestado depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais, Amazília foi convocada pelo delegado Romeu Tuma Júnior para comparecer na sede da Divisão de Registros Diversos. O depoimento ocorreu hoje de madrugada.
Além do comitê de Pitta, Amazília citou outros possíveis beneficiários da suposta propina, como os ex-administradores regionais da Sé, Victor David e João Bento, e o deputado estadual Hanna Garib. Segundo Amazília, toda semana seu marido entregava o dinheiro recolhido de ambulantes para os destinatários em envelopes fechados com durex. O valor, disse, variava de R$ 300,00 a R$ 500,00. Os valores e os nomes dos supostos beneficiados eram anotados em uma agenda.
O raciocínio do marido, diz Amazília, era que, caso fosse preso um dia, teria a agenda para comprovar que não era corrupto. Porém, no dia em que o fiscal foi preso, em fevereiro, ele mesmo teria ordenado a esposa para queimar a agenda, com todas as anotações. Amazília acredita que o marido não deve estar dizendo tudo o que sabe porque teme pela segurança de sua família.
Ela lembra que, diversas vezes, dois homens a ficaram observando em frente à sua casa. Um deles seria uma pessoa identificada apenas como Flávio, que teria sido o autor de um atentado contra uma irmã de Amazília. Corrupção - A comerciante afirmou que reconhece que seu marido era corrupto. Pelo serviço de coleta, ele receberia cerca de R$ 300,00 por semana. A maioria dos bens da família, segundo ela, teriam sido adquiridos com dinheiro de propinas, inclusive uma casa na Praia Grande, litoral sul.
Os envelopes semanais, segundo ela, eram entregues pelo seu marido para o encarregado de depósito da regional da Sé, Antônio Alberto Alves, que os repassava para os destinatários. Ela afirmou ainda que, diversas vezes, os fiscais fizeram festas em Praia Grande com bebidas apreendidas de camelôs na região central. Polícia - O delegado Romeu Tuma Júnior afirma que ainda é cedo para afirmar se os envelopes realmente foram remetidos para o comitê do então candidato do PPB à Prefeitura, Celso Pitta. Amazília entrou em contradição no depoimento quando afirmou que, ao perguntar se Pitta também receberia propinas, Leonardo apenas ficava quieto. "Pode até ser que havia envelopes com o nome de Pitta, mas eles poderiam ir para outro comitê", raciocina Tuma Júnior. Lapa - A polícia prendeu hoje o agente vistor da Administração Regional da Lapa, Paulo Antônio. Ele é suspeito de ter participado de um esquema de propinas na regional. Ele deve ser ouvido ainda hoje. À noite, a polícia deve ouvir o ex-administrador regional da Lapa Gilberto Trama e o ex-supervisor de Uso e Ocupação do Solo da regional, José Augusto Fernandes Gomes. Os dois foram presos ontem por suposta participação no esquema de cobrança de propinas. Gomes, atualmente era o titular da Administração Regional da Moóca.

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