O comerciante Ricardo Camargo Garcia, 37 anos, foi preso sob acusação de ter produzido remédio Androcur falsificado. Ontem, ele negou, em depoimento à polícia de Santo André (Grande SP), ter participação da falsificação, que pode ter acelerado a morte de dez pacientes de câncer de próstata. A polícia prendeu o comerciante na tarde de anteontem. Garcia é ex-sócio da farmácia de manipulação Botica Ao Veado D’Ouro, que tem mais de 100 anos.
Segundo a polícia, ele teria usado o laboratório da empresa para fabricar 800 mil comprimidos falsos, o equivalente a 40 mil frascos do remédio. Os comprimidos não tinham princípio ativo, tornando o remédio sem efeito. A polícia diz ter apreendido máquinas para prensar os comprimidos em um laboratório da Ao Veado D’Ouro. Em uma gráfica, foram apreendidas embalagens falsas de Androcur.
Em seu depoimento, Garcia afirmou que nunca autorizou a fabricação desses remédios no laboratório Veafarm, que pertence à Ao Veado D’Ouro. O comerciante afirmou também que não é mais acionista da empresa, que deixou há mais de um ano. Mas, segundo a polícia, o comerciante autônomo Élcio Ferreira da Silva, que também está preso no 1º DP de Santo André, reconheceu Garcia como sendo a pessoa com quem negociou a produção dos remédios. Élcio afirmou que Garcia recebia em dinheiro, mas não emitia notas fiscais. Garcia nega conhecer Élcio e ter feito negócio com ele.
Segundo a polícia, os donos da Botica Ao Veado D’Ouro, Daniel Eduardo Derkacheff e Edgard Herbig, foram intimados, mas não compareceram anteontem à delegacia. A polícia deve voltar a intimá-los nos próximos dias para prestar depoimento. De acordo com Élcio, Daniel Derkacheff chegou a autorizar parte da fabricação dos remédios durante período de ausência de Garcia. Élcio afirmou à polícia que pediu remédios contendo o princípio ativo do Androcur. Élcio afirmou também que teria sido enganado por Garcia, que produziu apenas pílulas de placebo (sem efeito). Até ontem, foram presas sete pessoas acusadas de envolvimento na falsificação.
A polícia deve fazer hoje acareação entre os presos. Todos os envolvidos serão colocados frente a frente para prestar esclarecimentos sobre o caso. O delegado titular do 1º DP de Santo André, Guerdson Ferreira, que conduz a investigação sobre o Androcur falso, pediu a prisão temporária de 30 dias para Garcia, que foi concedida pela Justiça.Arquivo FolhaCrimeOs distribuidores afirmam para a polícia que não sabiam que o remédio Androcur era falsificado, apesar do baixo preço do medicamentoAgência Folha

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