O comerciante chinês Moy Gin Ying, de 65 anos, dono da lanchonete Sábio Sabor, na Rua Wenceslau Braz, 79, centro de São Paulo, decidiu enfrentar a máfia chinesa que tentava extorquir US$ 20 mil para protegê-lo e não matar sua família. Ying procurou a Polícia Militar e contou sobre as ameaças de morte feitas havia vários dias por telefone. Wu Ki Ming, de 25, e Kao Kai Sheng, de 39, clandestinos no País, foram presos quando recebiam cheque e dólares.
‘‘Não devo nada para ninguém, pago meus impostos em dia, estou num País livre e por isso resolvi enfrentá-los’’, contou Ying ao delegado Joaquim Dias Alves, titular do 1º Distrito, da Sé.
Na quinta-feira da semana passada, Ying estava em sua lanchonete quando foi chamado ao telefone. Um homem, falando em chinês, disse que fazia parte de um grupo destinado a cobrar taxa de proteção de donos de restaurantes, hotéis e lanchonetes da colônia. Outros telefonemas foram recebidos no sábado pelo comerciante. Ele alegou que não tinha condições de dar os US$ 20 mil e o autor das ameaças concordou em diminuir para US$ 8 mil. Aceitou parte em reais.
Ying marcou com os mafiosos chineses a entrega do dinheiro para a tarde de segunda-feira em sua lanchonete. Sheng e Ming estavam encostados no balcão e no momento em que receberam US$ 3 mil e um cheque de R$ 4,8 mil foram presos.
Os chineses alegaram que não entendiam português e foi preciso chamar um intérprete para a prisão em flagrante, no 1º DP, por tentativa de extorsão. ‘‘Eles são da máfia chinesa que vem extorquindo patrícios em São Paulo e infelizmente alguns comerciantes preferem pagar do que denunciar’’, acredita Dias Alves.
O policial pediu informações à Delegacia Marítima, Aérea e de Fronteiras (DPMAF), da Polícia Federal, sobre os presos. Acredita que tenham entrado no Brasil por Cidade del Este, no Paraguai, atravessando a Ponte da Amizade e chegando a Fóz do Iguaçu. Outra rota usada pelos clandestinos da máfia chinesa é deixar o Paraguai e entrar no Brasil por Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul.
Para o delegado Dias Alves, se os dois presos exigiram o pagamento pela proteção é porque estavam fazendo o mesmo com outras pessoas da colônia.

mockup