Comerciante diz que entregava R$ 2 mil por semana para Hanna Garib
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terça-feira, 30 de março de 1999
Por Rosa Bastos 
São Paulo, 31 (AE) - Durante seis semanas, em 1995, o comerciante Luiz Antonio da Silva, o Lula, encarregado da segurança dos camelôs que trabalham na área do Parque D. Pedro e Praça Fernando Costa, diz ter entregue pessoalmente ao vereador Hanna Garib (PPB) R$ 2 mil por semana em seu gabinete na Câmara. Numa das vezes, fez a entrega no banheiro. Silva informou o fato ontem (30) à noite à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura a máfia dos fiscais.
O comerciante, dono da firma Luar Serviços de Segurança, disse que as bancas para as quais faz segurança estavam sob ameaça de ser retiradas à noite. Queixou-se ao então administrador regional da Sé, Victor Davi, que o mandou procurar Garib. Acompanhado do sócio, Arnaldo José Moraes Neto, ele foi até a Câmara Municipal. Calmo e desinibido, Silva contou como foi combinada a suposta transação.
"Expliquei a ele que, se as bancas fechassem, muita gente ia ficar sem trabalho, até nós, os seguranças", disse. "Ele então me respondeu que tudo poderia se resolver desde que a gente pagasse R$ 3 mil por semana". Conversou com Arnaldo, que o esperava do lado de fora. "É muita coisa, mas se ele aceitar R$ 2 mil, tudo bem". Garib teria aceitado.
Os vereadores da CPI perguntaram se Silva já conhecia o vereador. "Ora, tenho 30 anos de Parque D. Pedro, seria impossível não saber que é ele quem manda lá", comentou. "Mas nunca havíamos tido esse tipo de diálogo". Durante 8 anos, Silva foi vendedor ambulante na região e há 22 trabalha como chefe de segurança, com dez empregados na firma.
Ele disse que, todas as segundas-feiras, depois do almoço, ia ao gabinete do vereador entregar a propina rateada entre os ambulantes. Um dia, vários camelôs o acompanharam até a Câmara, desconfiados de que ele poderia estar ficando com o dinheiro. Por duas vezes o sócio o assistiu fazer a entrega do pacote. "Uma vez no gabinete e outra no banheiro".
Quando as barracas do Viaduto Santa Ifigênia começaram a ser retiradas à noite, Gilberto Monteiro da Silva, encarregado da segurança do local, pediu conselho a Silva. Ele o levou para falar com Garib. "O vereador disse a mesma coisa: se tivesse uma conversa, as bancas ficariam". O acordo ficou em R$ 500,00 por semana pois no viaduto havia só 80 bancas.
Um dia, Garib avisou-o que não precisava mais levar o dinheiro. "Ele me disse que estavam fazendo uma CPI e o nome dele poderia aparecer", contou. "Também reclamou que eu tinha contado sobre o acordo a pessoas que não eram de confiança".


