Comerciante depõe e confirma suposta tentativa de extorsão
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 12 (AE) - A comerciante Soraia da Silva, confirmou hoje, para a juíza Andréa Brandão, da 29ª Vara Criminal da Capital, ter sido vítima de tentativa de extorsão praticada supostamente pelo fiscal Marco Antonio Zeppini, em dezembro. "Ele está mentindo, pois de bondade não tem nada", disse em referência às afirmações do fiscal, após ser interrogada. Ao depor na semana passada, Zeppini, que na época era fiscal da Administração Regional de Pinheiros, na zona oeste da cidade, declarou que tentou apenas ajudar a comerciante. O dinheiro, R$ 30 mil, segundo o fiscal, seria utilizado para a contratação de um escritório de engenharia que ficaria responsável pela elaboração de uma nova planta e reforma do imóvel, de acordo com os padrões exigidos pela lei.
"Essa história não é verdade, até porque eu já tinha contratado uma empreiteira para a reforma", disse Soraia, que não imaginava que o caso atingiria tal proporção. A denúncia desencadeou uma série de investigações do Ministério Público Estadual (MPE) e da Polícia Civil nas administrações regionais da cidade e várias prisões.
Hoje, Soraia contou que acabou desistindo do imóvel e de montar a academia de ginástica, na Rua Augusta. Segundo ela, o prejuízo foi de cerca de R$ 170 mil; R$ 120 mil apenas de aparelhos de ginástica que já haviam sido comprados. Desconhecimento - Além de Soraia, também foram interrogados os policiais que prenderam Zeppini, o ex-administrador regional de Pinheiros, Osvaldo Kawanami e o produtor da TV Globo que filmou a supsota tentativa de extorsão. O ex-regional Kawanami afirmou que não tinha contato com Zeppini e desconhecia o suposto esquema de extorsão.
"Eu tinha conhecimento de ocorrências esporádicas de extorsão, mas não imaginava que fosse nessa proporção", disse. "Eu achava que o fiscal tentava extorquir apenas para ele mesmo", completou. Na época, ele chegou a fazer duas reuniões para advertir os fiscais sobre tentativas de cobrança de propinas. "Quando recebia alguma denúncia, eu os alertava para cumprir a lei rigorosamente", disse o ex-administrador regional. Zeppini participou das reuniões.
O advogado de Zeppini, Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, acompanhou os interrogatórios. Ele não concorda que seu cliente tenha praticado concussão. "Em nenhum momento a Soraia disse que ele exigiu dinheiro", afirmou o advogado. De acordo com o Código Penal, para que o crime de concussão (extorsão praticada por funcionário público) seja configure, é necessário que a vantagem tenha sido exigida de forma categórica, ou seja, ordenada.


