Comerciante confirma venda de B.Os
CPI DOS MEDICAMENTOS Comerciante confirma venda de B.Os Mauro FrassonAnderson Donizeti de Lima (esq.) durante depoimento: bonificação Luciana Pombo De Curitiba A subcomissão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a comercialização e desvio de medicamentos em todo o País vai pedir a quebra dos sigilos telefônico, fiscal e bancário dos dez maiores laboratórios e distribuidoras nacionais. A decisão foi tomada ontem, após o depoimento do comerciante Anderson Donizeti de Lima, preso na semana passada, em Curitiba, por estar comercializando produtos roubados. Em seu depoimento, que durou cerca de duas horas e meia, Lima declarou que recebia produtos bonificados de diversas distribuidoras nacionais. Eu recebia duzentos medicamentos numa caixa e na nota só vinham listados cem. Ou vinham os duzentos e na nota vinha o valor com desconto, declarou ele. Lima, que é proprietário de farmácias da rede Bella Farma, listou os nomes dos laboratórios e distribuidoras que trabalhavam com os medicamentos bonificados, caracterizando de acordo com os deputados sonegação de impostos. Esta é a prova de que as distribuidoras praticam sonegação fiscal, afirmou o deputado federal Íris Simões (PTB-PR), que presidiu a tomada de depoimentos. Este foi um dos depoimentos mais importantes que tivemos até agora. Sabíamos do esquema dos bonificados, mais ainda não tínhamos os nomes das distribuidoras e laboratórios, lembrou o deputado federal Max Rosemann (PSDB-PR). Os nomes das distribuidoras e dos laboratórios serão mantidos em sigilo. No depoimento de Lima, ainda ficou caracterizada a suposta comercialização de produtos roubados pelas próprias distribuidoras e pelos laboratórios. Ele contou que os medicamentos roubados da Neo Química, de Goiás, foram vendidos sem nota para ele por um representante do laboratório identificado como Léo Carbonash e que ofereceu facilidades para pagamento. Ele me deu o cartão dele, com o nome do laboratório. Eu tive boa fé e resolvi comprar, disse. O valor total de compra da carga apreendida (num total de 1,8 mil medicamentos) é de R$ 35 mil. Os medicamentos estavam distribuídos nas três farmácias Bella Farma, de propriedade de Lima, em Curitiba e São José dos Pinhais. Reservadamente, o comerciante deu o número do telefone do suposto vendedor para a CPI, que encaminhou imediatamente para a Polícia Federal de São Paulo. Temos claros indícios de que os laboratórios e as distribuidoras comercializam estes produtos roubados, afirmou Simões, que ofereceu proteção à Lima. Também foi pedida a quebra dos sigilos telefônico, fiscal e bancário de Lima e da mãe dele. Os depoimentos na CPI dos Medicamentos seriam tomados na Delegacia de Estelionato de Curitiba. Mas um pedido do empresário Aparecido Camargo, ex-presidente da Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abrafarma), fez com que o local fosse modificado. Camargo foi ouvido em caráter sigiloso e não quis dar declarações para a imprensa. O depoimento dele durou quase uma hora. Ele está com medo de morrer. Ele e a família. Estamos respeitando o pedido dele de que as denúncias sejam mantidas em sigilo, afirmou o deputado federal Robson Tuma (PFL-SP), sub-relator da área de roubos, falsificação e distribuição de remédios da CPI dos Medicamentos.





