Salvador, 06 (AE) - O comerciante Eidmar Medrado, acusado de receptação de cargas roubadas e de fazer parte da quadrilha do assaltante Wander Dornelles, que permanece detido no Presídio de Feira de Santana, revelou hoje, no depoimento à Justiça de Juazeiro, a 500 quilômetros de Salvador, que, na última eleição, foi cabo eleitoral do deputado Pedro Alcântara (PFL), líder do governador César Borges (PFL) na Assembléia Legislativa da Bahia. Segundo Medrado, como prêmio pelo trabalho na campanha, Alcântara empregou a mãe do comerciante no Juizado de Trânsito e uma filha no Cível de Juazeiro.
Alcântara e os desembargadores Walter Brandão e Mário Albiani teriam pressionado, em 1999, o desembargador Lourival Ferreira a conceder habeas-corpus em favor de Dornelles. O caso está sendo investigado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara dos Deputados, que suspeita da ligação do crime organizado com autoridades baianas. Medrado foi indicado por um colega de cela de Dornelles como o homem que pagou R$ 115 mil e mais um carro Vectra para que autoridades baianas libertassem o assaltante no fim de 1998. De fato, Dornelles foi beneficiado por um habeas-corpus, concedido por Brandão. No entanto, dois meses depois de libertado, foi preso novamente por roubo de cargas.
Medrado negou que tenha sido o intermediário da negociação e tampouco fazer parte da quadrilha de Dornelles. No entanto, ele foi preso extamente porque a polícia encontrou em sua casa uma carga de produtos derivados de coco, roubado pela quadrilha. A juíza de Juazeiro Olga Regina, que ouviu o comerciante, deve tomar nos próximos dias os depoimentos do dono da carga roubada e do caminhoneiro que a transportava.