Comerciante acusa chefe do Incra no Pará de tentativa de extorsão
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2000
Por Carlos Mendes 
Belém, 29 (AE) - O comerciante Adelson Ursulino de Assis denunciou ao Ministério Público Federal o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Belém, Darwin Boerner, por suposta tentativa de extorsão. O procurador da República Felício Pontes Júnior informou ter intimado Boerner a prestar esclarecimentos sobre o caso.
Segundo Assis, o superintendente teria proposto a ele que recebesse um valor menor pela desapropriação de uma fazenda de sua propriedade a 7 km de Concórdia do Pará, no nordeste do Estado. "Ele prometeu que, como compensação, direcionaria a construção de algumas casas do plano de reforma agrária, mas eu teria que efetuar o pagamento de uma comissão sobre o valor das moradias." O comerciante afirma que, além ter de pagar a comissão supostamente estabelecida por Darwin, teria que fazer denúncias contra os funcionários do Incra Aguinaldo Dantas, Ermino Moraes e Francisco Carneiro.
"Neguei-me de pronto a fazer isso, pois não iria acusar pessoas inocentes. Mas, a partir de então, fuiencontrando outras dificuldades e não estou conseguindo receber de forma alguma o valor da indenização por minha fazenda, que foi sendo reduzida em sucessivas avaliações do Incra."
Calúnia - O superintendente Darwin Boerner afirma tratar-se de uma acusação "mentirosa e caluniosa". Para ele, há um conluio entre o comerciante e os três funcionários do Incra citados na denúncia para desmoralizar sua administração. "Esses funcionários são irresponsáveis, não trabalham e vivem tentando denegrir a imagem do órgão."
Boerner conta que Ursulino esteve em seu gabinete, no ano passado, relatando a situação do processo de compra e venda de sua fazenda pelo Incra. "Ele chorou na minha frente como criança, pedindo que o imóvel dele, ocupado por 34 famílias, fosse incorporado para reforma agrária, porque ele não tinha o que comer."
Na época em que chegou em Belém, Boerner diz que ficou de analisar a proposta de compra da fazenda. "O processo foi para Brasília e voltou a Belém três vezes. A última manifestação foi de que o valor ainda teria que ser decrescido (diminuído) em razão da depreciação do imóvel." Uma parte da indenização seria paga em dinheiro e outra em títulos da dívida agrária, mas o processo, em virtude da depreciação do imóvel, acabou paralisado.
Sobre a acusação, Boerner disse: "Quero que ele prove o que está dizendo. Se não fizer, vou processá-lo". E arrematou: "Eu sei que o meu modo de agir, sério e transparente, está incomodando algumas pessoas no Incra."


