Comerciante acusa a PM de racismo e abuso de autoridade
Lúcio Flávio Moura
Enviado a Arapongas
O comando do 15º Batalhão da Polícia Militar, com sede em Rolândia, começa a investigar hoje um caso de racismo combinado com abuso policial cometido contra o comerciante Brás Ferreira Benedito, 44 anos, de Arapongas.
Benedito, que é negro, acusa dois soldados de discriminação racial durante abordagem feita na tarde de ontem a um grupo de pessoas que estava em frente à agência do Banco do Brasil, que fica na Avenida Arapongas, a principal da cidade.
A ação chamou a atenção de motoristas e pedestres (o local é um dos mais movimentados do centro da cidade). O comerciante discutiu com os policiais, foi algemado, colocado na viatura e preso. Permaneceu algemado na delegacia até que policiais civis o reconhecessem e sugerissem a sua liberação.
A polícia efetuou a prisão alegando desacato à autoridade dentro da Lanchonete e Pizzaria Time, ao lado do banco, no momento em que Benedito iria contatar seu advogado por telefone, queixando-se do abuso.
Segundo frequentadores do estabelecimento que assistiram à prisão, antes de imobilizá-lo com a algema, os policiais teriam aplicado uma gravata no comerciante e o arrastado até a porta da lanchonete.
Sou uma pessoa trabalhadora, conhecida na cidade e me irritei porque, sendo negro, fui o único a ser abordado no local. Não devo e não sou obrigado a mostrar nada à polícia, defende-se o comerciante, que disse que havia acabado de sair da agência, onde fez um depósito bancário.
A maior reclamação de Benedito, dono de um bar na Avenida Maracanã, é a maneira como foi feito o pedido para que mostrasse a documentação. Eles já haviam me encarado quando passaram pela avenida e depois me deram ordens em tom agressivo, como se estivessem falando com um bandido, tudo isto porque não gostaram da minha aparência, presume.
As testemunhas ouvidas pela Folha se disseram impressionadas com o exagero da ação. Eles não entenderam o motivo da chamada de outra viatura com mais dois policiais para deter Benedito, que estava desarmado.Os quatro PMs entraram sem pedir permissão e pareciam bastante nervosos, conta Nildécio Marques de Oliveira, 42 anos, funcionário da lanchonete.
O major José Cesário de Paula, comandante em exercício do 15º BPM e que chefiará a sindicância, deve ouvir esta semana os dois policiais e as testemunhas envolvidas no caso. Ninguém tem a obrigação de se identificar, mas as pessoas de bem devem portar documentos para facilitar o trabalho da polícia, esclarece o major, tentando minimizar uma possível arbitrariedade.





