Comer intuitivamente ajuda a manter a forma
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 09 de dezembro de 2005
Simone Iwasso<br>Agência Estado 
São Paulo- Para o pesquisador Steven Hawks, professor de Ciências da Saúde da Brigham Young University, de Provo (Estado americano de Utah), a fórmula para a manutenção do peso, por meio de uma alimentação saudável, não está no cardápio restritivo das dietas, nos programas de contagem de calorias nem numa superconscientização sobre valores nutricionais das comidas e suas classificações em carboidratos, proteínas e gorduras.
Baseado nos estudos sobre hábitos alimentares que desenvolve há quase duas décadas, Hawks afirma que ''comer intuitivamente'' é a melhor estratégia para manter o corpo em forma - e reduzir o risco de doenças associadas à obesidade, segundo sua última pesquisa, publicada no periódico científico American Journal of Health Education.
Ex-viciado em dietas, ele conta que perdeu 22 quilos exatamente com o método que prega a antidieta. O segredo é ''ouvir'' o que o corpo pede, entender seus sinais e tirar da relação com a comida a ansiedade, as emoções e até mesmo a obsessão quase científica com o equilíbrio dos grupos alimentares nas refeições.
O que é comer intuitivamente?
É parar de manipular o que comemos, como fazem as dietas, e desenvolver a capacidade que todos temos de identificar os sinais do organismo, reconhecer o que de fato ele precisa e, feito isso, comer a quantidade necessária para saciar a fome. Quando a pessoa aprende a ouvir os sinais do corpo, ela percebe, por exemplo, que, quando seu corpo precisa de vitaminas, ela sente mais vontade de comer uma fruta. Quando precisa de proteínas, sente que a fome seria saciada ao comer um tipo de carne. Essas pessoas fazem escolhas saudáveis de maneira natural, sem esforço, o que gera uma relação de ansiedade com a comida.
Existe um perfil dessas pessoas?
Fizemos uma pesquisa com 343 pessoas. Estudamos seus hábitos alimentares e aplicamos um questionário para analisar com o que elas relacionavam a comida e o grau de conscientização que tinham sobre nutrição. Concluímos que quem come intuitivamente tem menor índice de gordura corporal, níveis mais baixos de colesterol e triglicérides, menos incidência de problemas cardiovasculares e conseguem manter um peso estável durante a vida. Além disso, tem uma relação mais prazerosa com a comida, sem ansiedades ou culpas. E quase nenhum histórico de dietas ou distúrbios alimentares.
É possível aprender a comer dessa maneira?
Para a maioria das pessoas, esse é um mecanismo natural, faz parte delas. Para outras, foi um processo adquirido durante a vida. É muito mais difícil, mas é possível ensinar uma pessoa a entender os sinais que o corpo dá. Em primeiro lugar, a pessoa precisa aceitar seu corpo e reconhecer que a dieta não traz os benefícios esperados. Depois, aprender a parar de comer por impulsos emocionais. Entender que aquela sensação de cansaço após comer demais é uma resposta negativa. Que o amortecimento provocado por muito açúcar também. Observar realmente o que ela sente vontade, que tipo de alimento naquele dia o corpo está pedindo.
Qual a consequência das dietas?
No longo prazo, as dietas não se mostram eficazes justamente porque trabalham com alguma restrição, de alimento, quantidade ou caloria, e isso vai contra a natureza o organismo. Ela passa a vida tentando seguir a dieta, e não o seu corpo. Privada de determinados alimentos, ela não aprende a comer, e volta a engordar. Fica com uma composição corporal alterada e pode desenvolver tendência a armazenar gordura. Também podem ocorrer distúrbios de alimentação e uma diminuição do ritmo do metabolismo.


