Começam negociações de paz na Colômbia
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segunda-feira, 05 de julho de 1999
Por Javier Baena 
Bogotá, 06 (AE-AP) - Depois de 35 anos de uma guerra interna que já deixou mais de 70.000 mortos, o governo do presidente Andrés Pastrana e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) darão início amanhã (07) a negociações de paz.
"Este é um momento histórico que pode abrir o caminho para o fim de tantos anos de violência", disse hoje o professor de ciências políticas Jaime Zuluaga.
As negociações serão realizadas em Uribe, município localizado 165 quilômetros ao sul de Bogotá, sede histórica até 1991 do secretariado das Farc, a guerrilha que representa 70% de todo o movimento rebelde colombiano.
O presidente Andrés Pastrana levou um ano para colocar em marcha o processo de paz. Em julho de 1998, antes de assumir o poder, Pastrana se reuniu com Manuel Marulanda, o lendário guerrilheiro camponês que fundou as Farc com um punhado de lavradores em 1964 e as converteu hoje num exército irregular de 15.000 homens.
Pedro Gómez Barrero, um dos cinco negociadores oficiais, garantiu na tarde de hoje que a instalação do chamado "comitê temático" poderia estender-se devido ao fato de alguns integrantes não terem chegado a Uribe. "De qualquer forma, estaremos amanhã em Uribe para o início dos diálogos", disse Gómez Barrero ao chegar a uma cerimônia organizada pela Embaixada da Venezuela para a celebração de seu dia nacional, comemorado em 5 de julho.
"Parece que houve algumas dificuldades para que alguns dos membros chegassem ao local da reunião", disse Gómez, sem oferecer mais nenhum detalhe.
Pastrana concordou com Marulanda em pôr em andamento o processo de paz em uma zona desmilitarizada de 42.000 quilômetros quadrados no sudoeste da Colômbia.
Os delegados de ambas as partes levaram seis meses para acertar a agenda de negociações, segundo a qual será possível negociar tudo menos a soberania, o sistema democrático e a unidade da nação, afirmou Fabio Valencia, presidente do Congresso e um dos negociadores do governo.
O governo chega à mesa de conversações debilitado por uma crise econômica sem precedentes em 70 anos e sem um consenso nacional sobre qual seria a melhor estratégia de negociação.
Para o governo e empresários, a esperança de paz é fundamental para a recuperação econômica. Segundo cálculos oficiais, a guerra interna custa dois pontos percentuais anuais ao Produto Interno Bruto - mais de US$ 2 bilhões - em destruição de riquezas, enquanto os sequestros e extorsões provocam o êxodo de empresários e capitais.
O Partido Liberal, o principal de oposição, considera que a estratégia do governo de dar prioridade às negociações com as Farc é equivocada. O partido defende que deveria ser dado um tratamento igual ao Exército de Libertação Nacional (ELN), grupo guerrilheiro menor mas de grande capacidade de execução de ações terroristas.
Por outro lado, analistas políticos como Hernando Gómez Buendía estimam que a estratégia de se negociar com pequenos grupos guerrilheiros, deixando de lado as Farc, fracassou na Colômbia.
Nos últimos nove anos se desmobilizaram o Movimento 19 de Abril, o Exército Popular de Libertação, o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a Corrente de Renovação Socialista e o Quintín Lame, sem que se tenha alcançado a paz.
Os assuntos prioritários no início das negociações não são aqueles que mais preocupam os colombianos: um cessar-fogo e o fim dos sequestros. Esses pontos só serão tratados num estágio mais avançado das negociações, advertiram ontem Juan Gabriel Uribe, um dos negociadores do governo, e Jorge Briceño, considerado o chefe militar das Farc.
Para as Farc a prioridade é negociar a troca de 450 guerrilheiros presos por 400 soldados e policiais que tomaram como reféns.


