São Paulo, 18 (AE) - Serão iniciados amanhã (19) os debates entre a acusação e a defesa no julgamento dos dois últimos ex-policiais militares acusados de assassinato, espancamento e abuso de autoridade na Favela Naval, em Diadema, na Grande São Paulo, em março de 97.
O ex-soldado Nelson Soares da Silva e o ex-terceiro-sargento Reginaldo José dos Santos estão sendo julgados pelo Tribunal do Júri de Diadema, presidido pela juíza Claudia Maria Carbonari de Faria. Oito ex-PMs já foram julgados pela Justiça comum.
Soares da Silva é acusado de homicídio duplamente qualificado por motivo torpe - em relação ao escriturário Mario José Josino -, três tentativas de homicídio - contra Antonio Carlos Dias, Jeferson Caputti e Sílvio Calixto Lemos -, e abuso de autoridade. Ele já foi condenado pela Justiça Militar a três anos e nove meses de prisão, em regime semi-aberto, por prevaricação e lesão corporal leve, mas o julgamento foi anulado pelo Tribunal de Justiça Militar.
Reginaldo José dos Santos, que ficou oito meses detido e está em liberdade, está sendo julgado por abuso de autoridade, cuja pena prevista pode ser inferior ao tempo que passou preso.
Hoje foram exibidas as fitas de vídeo que mostravam as cenas do crime, repetidas exaustivamente pelas redes de TV. Foram ouvidos o tenente Wlamir Cruz Machado, testemunha da defesa, e o músico Silvio Calixto Lemos, espancado no local por PMs, uma das principais testemunhas do crime.
O promotor José Carlos Blat, coordenador do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), afirmou que, independentemente do que for decidido pelo Tribunal do Júri em relação ao novo julgamento do ex-PM Otávio Lourenço Gambra, o Rambo, vai sustentar toda a acusação: o homicídio, as três tentativas e o abuso de autoridade. "Fatos novos devem ser revelados", disse. "A sociedade é soberana e vai confirmar a condenação merecida desses bandidos fardados".
O encerramento do julgamento de apelação de Rambo contra a decisão dos jurados do 5.º Tribunal do Júri, que o condenaram a 59 anos e seis meses de cadeia, por sua participação no episódio, foi adiado para terça-feira. Na semana passada, os desembargadores Segurado Bráz e Oliveira Ribeiro, da 3.ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, decidiram anular o julgamento e mandaram-no para um segundo júri. Falta o voto do terceiro e último juiz, Walter Guilherme, que ainda estuda o processo. Por maioria de votos, porém, o julgamento já esta decidido em favor de Rambo. O terceiro voto apenas formalizará o encerramento.

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