Tropas do Exército e agentes da Polícia Federal começam hoje uma megoperação na área indígena Campa, no Rio Amônea, na fronteira do Acre com o Peru, invadida por 300 madeireiros peruanos. Dois helicópteros de combate e um avião para transporte de soldados saíram ontem de Manaus (AM) e seguiram para a reserva, onde vivem cerca de 350 índios ashanincas. Além de expulsar os invasores, a PF vai trabalhar no combate ao tráfico de drogas. Os agentes têm informações de que traficantes do Peru e da Colômbia estariam recrutando seringeiros para transportar drogas pela mata até os laboratórios colombianos de refino de cocaína. Levantamentos indicam que os traficantes usam uma faixa de 150 quilômetros de floresta, em território brasileiro, para levar a pasta de cocaína até a Colômbia. A operação foi determinada pelo ministro da Justiça, José Gregori, depois de os índios ameaçarem reagir à bala caso os invasores continuem em suas terras. Um grupo de índios ashanincas ameaça expulsar os madeireiros por conta própria. Eles estão armados com arcos, flechas e espingardas. A tensão no local preocupa a Fundação Nacional do Índio (Funai) no Acre. De acordo com os índios, as invasões na área vêm ocorrendo há cerca de dois anos. O administrador da Funai, Antônio Pereira Neto, conversou ontem por radioamador com os índios e pediu calma às lideranças. Os ashanincas estão irredutíveis e exigem a imediata expulsão dos madeireiros peruanos, que invadiram a reserva do Rio Amônea para retirar madeiras nobres, como cedro e mogno. Um dos líderes da aldeia, o índio Francisco Pinhanta, afirmou na quinta-feira que pode haver um ‘‘banho de sangue’’ na região do Amônea caso os madeireiros peruanos insistam em continuar devastando a reserva.

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