Londrina - As obras de revitalização da Avenida Maringá, na Zona Oeste de Londrina, tiveram início na manhã de ontem, com máquinas retirando o asfalto antigo. O trecho entre a Avenida Tiradentes e a Rua Tomazina ficou em meia pista. O trabalho obrigou os motoristas que trafegavam pela região a usar caminhos alternativos.
O projeto prevê a duplicação da via com a instalação de um canteiro central, a substituição do estacionamento de veículos em paralelo na pista de rolamento por vagas em 45 graus onde hoje ficam as calçadas e a utilização dos recuos dos imóveis para abrigar as calçadas.
Para quem trabalha com entregas a notícia gerou sentimentos conflitantes. Se por um lado criou uma expectativa pela diminuição dos congestionamentos em horários de pico, por outro lado preocupou os motoristas em relação às vagas para realizar as entregas.
Para o motorista e entregador de uma companhia de bebidas José Rodrigues, a mudança pode melhorar o fluxo de veículos. No entanto, uma das preocupações está relacionada com os pontos de carga e descarga de mercadorias. ''Nós fazemos mais de 30 entregas por dia somente aqui na Avenida Maringá e a gente espera que a Prefeitura tenha previsto pontos de carga e descarga, caso contrário o nosso trabalho será dificultado'', opinou.
Usuários de transporte coletivo consultados pela reportagem afirmaram que a mudança será benéfica. A estagiária de contabilidade Beatriz Ceron afirmou que utiliza freequentemente o ônibus para ir trabalhar e relatou que o trânsito na via é sempre complicado. '' Os motoristas acabam não se respeitando e isso acaba com a paciência deles. Isso faz com que muitos acabem entrando na frente de pedestres sem prestar muita atenção'', criticou.
Para o físico e professor universitário Mário Goto, que circula de carro pela via com frequência, a duplicação é essencial. ''É só ver o trânsito em horários de pico para ver que essa obra é necessária'', observou. Ele afirmou que não vê problema na interrupção temporária do fluxo para que as obras sejam realizadas. ''Se for para melhorar o trânsito, vale o sacrifício, pois não tem jeito de fazer as obras sem essa interrupção'', argumentou.
Mas alguns comerciantes e vendedores se queixam que as obras podem refletir na queda das vendas. A atendente de farmácia de manipulação Adriana Sotena confidenciou que há uma certa apreensão com a possibilidade de queda das vendas, principalmente pela falta de estacionamento que a obra provocará. ''Já tem clientes que falaram que estão preocupados com a possível falta de vagas para estacionar, pois atualmente a Avneida Maringá já é difícil de estacionar e isso pode piorar depois que as obras ficarem prontas'', disse.
Celso Rodrigues Alves é proprietário de uma loja de lubrificantes e troca de óleo e diz que o desvio do trânsito já reduziu suas vendas em 90%. ''Se dependesse de mim eu gostaria que a única mudança fosse a recuperação do asfalto, pois essas mudanças irão refletir em nossas vendas'', apontou. Ele estima que ao término das obras as vendas permanecerão 10% abaixo do que costumava comercializar antes das obras. ''O que eles querem fazer não é correto com a gente. Eles já diminuíram o meu movimento quando acabaram com aquela rotatória na Avenida Tiradentes, pois os carros precisam andar uns 500 metros a mais para fazer o retorno'', criticou.
O estudante Diego Cafarena, por outro lado, elogiou a medida. ''Londrina possui muitas rotatórias e elas travam o trânsito'', argumentou. Para ele, essa readequação dará mais fluidez ao trânsito e refletirá também na Avenida Maringá. ''A Maringá é uma das principais vias da cidade e faz a ligação entre a Zona Norte e a Zona Sul e também da Zona Oeste com o restante da cidade e essa duplicação vai desafogar o trânsito'', analisou.

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