Começa novo julgamento de ex-PM acusado por morte em blitz na Favela Naval
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domingo, 09 de abril de 2000
Por Cecília Negrão 
São Paulo, 10 (AE) - O ex-soldado da Polícia Militar Otávio Lourenço Gambra, conhecido como Rambo, voltou a ser julgado hoje no Tribunal do Júri de Diadema, no ABC. Ele é acusado de ter matado o escriturário Mário José Josino, em março de 1997, durante blitz na Favela Naval, em Diadema. A blitz foi registrada por um cinegrafista e veiculada pela TV - as imagens chocaram a opinião pública, mostrando um grupo de PMs espancando violentamente cidadãos e o disparo que teria atingido Josino.
Gambra havia sido julgado em outubro de 1998 e condenado a 59 anos e 6 meses, mas teve a sentença anulada pela Justiça. Desde 1997, está preso no Presídio Militar Romão Gomes, na água Fria, zona norte.
A mais nova estratégia da defesa é um laudo que pode mudar o rumo das investigações. Os advogados Gamalher Correa e Gamalher Correa Junior recorreram ao Tribunal de Justiça, solicitando habeas-corpus para inclusão do documento, não oficial, que comprovaria que os tiros disparados por Gambra não acertaram o escriturário.
O TJ solicitou mais informações à juíza Claudia Maria Carbonari de Faria, que indeferiu incialmente o documento, e pretende emitir parecer até quarta-feira. O laudo corresponde a uma computação gráfica feita pelo tecnólogo João Carlos da Silva. "Não vislumbro fato novo para desmerecer as perícias feitas até agora", disse a juíza. As investigações ocorrem normalmente até quinta-feira.
Corregedoria - De acordo com o chefe do Departamento de Operações Ostensivas e Reservadas da Corregedoria da Polícia Militar, tenente-coronel Rui Francisco Azevedo, a corregedoria está verificando o laudo, a pedido da mulher de Gambra, Maria José Gambra. Essa versão, porém, foi desmentida pelo advogado Gamalher, que afirmou que Silva e Azevedo estão trabalhando juntos. "A família não tinha dinheiro e a corregedoria ajudou"
disse Gamalher.
A corregedoria está no caso há meses para investigar denúncias feitas pela mulher do ex-soldado. Ela teria gravado uma fita com o perito José Isac Zarzuela na qual ele acusa os peritos do Instituto de Criminalística da Polícia Civil de estarem forjando os dois laudos do processo.O novo laudo contesta os outros dois, que serão apresentados ainda esta semana. Um deles mostra os vestígios produzidos pelos disparos feitos pelos policiais durante a blitz.
Ausência - Após três horas de atraso, o julgamento começou sem uma das testemunhas de defesa. Apesar de a juíza ter encaminhado dois oficiais de Justiça para intimá-lo, Silvio Calixto Lemos não foi encontrado. Em seu depoimento na época, Gambra disse que efetuou os disparos, mas não sabia se havia acertado o conferente. Ele justificou os dois tiros como "advertência". O julgamento deve terminar na sexta-feira.


