Começa marcha contra trabalho infantil
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 1998
Agência Folha 
Dos quase 2,6 milhões de crianças entre 10 e 14 anos que trabalham no Brasil, pouco mais de 7% estão no Paraná (183 mil), segundo a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ainda de acordo com o IBGE, o trabalho infantil no Paraná está fortemente concentrado no campo. Para cada dez crianças entre 10 e 14 anos que trabalham no Estado, nove estão nas zonas rurais.
Este é o quadro que deverá ser discutido hoje, em Curitiba, pelos integrantes do braço latino-americano da Marcha Global Contra o Trabalho Infantil, que partiu de ônibus ontem de São Paulo. O protesto conta com o apoio de 7.000 entidades de 99 países de todos os continentes. A marcha terminará em Genebra (Suíça), em junho, quando começa a 86ª Conferência da Organização Internacional do Trabalho, na qual o problema do trabalho infantil será discutido.
Na conferência, os organizadores da marcha esperam pressionar a comunidade internacional para que os países ratifiquem e cumpram as convenções sobre trabalho infantil e direitos das crianças, além de aumentar os investimentos em educação e criar códigos de conduta para empregadores. A organização da marcha na América do Sul está sob responsabilidade da Fundação Abrinq pelos Direitos das Crianças.
A chegada a Curitiba estava prevista para o começo da madrugada. Os 25 integrantes iriam passar a noite na sede da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep). Durante a manhã, eles debatem o trabalho infantil com diversas entidades de Curitiba e do Paraná.
À tarde, terão audiência com o procurador-geral da Justiça, Olympio de Sá Sotto Maior Neto. Em seguida, os integrantes realizam uma concentração em frente da prefeitura e fazem uma marcha simbólica até o Palácio Iguaçu (sede do governo do Paraná), onde deverão ser recebidos pelo governador Jaime Lerner (PFL).
Depois de deixar Curitiba hoje, por volta das 19h30, a marcha irá para Florianópolis (SC), Novo Hamburgo (RS) e Porto Alegre (RS). De lá, segue para Buenos Aires, onde o grupo brasileiro será substituído pelo argentino. No dia 3 de maio, a marcha latino-americana se encontra com o grupo norte-americano na cidade de Tijuana (México) e segue pelos EUA até Washington. Depois, os dois grupos partem para o Reino Unido, de onde marcham para Genebra.
No total, serão três braços da marcha. O primeiro saiu de Manila (Filipinas) em 17 de janeiro. O braço africano vai partir da Cidade do Cabo (África do Sul) no dia 21 de março, passando pela Argélia e entrando na Europa pela Espanha. Queremos mostrar que o trabalho infantil tem uma causa comum no mundo todo. Em primeiro lugar é a pobreza que resulta de uma condição política internacionalmente preocupada com fatores estritamente econômicos , diz Lélio Bentes, procurador do trabalho em Brasília, conselheiro da Fundação Abrinq e coordenador da marcha na América do Sul.


