Começa júri da chacina de Vigário Geral
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terça-feira, 15 de abril de 1997
Agência Estado, do Rio 
Três anos, sete meses e quatorze dias depois da chacina de Vigário Geral, os ex-policiais militares acusados de matar 21 trabalhadores da favela, no subúrbio carioca, começam a ser julgados hoje no II Tribunal do Júri. Apesar de 17 ex-policiais militares estarem aptos a ser julgados, só o ex-soldado Paulo Roberto Alvarenga, de 38 anos, deverá se sentar no banco dos réus. Os outros deverão ser julgados dia 30.
A previsão é de que a sentença do primeiro réu a ser julgado pela maior chacina urbana ocorrida no Brasil só será conhecida entre 48 e 72 horas após o início da sessão - na pior das hipóteses, o julgamento terminará na madrugada de sábado. Apesar de só poder ser confirmado a partir do início da sessão, o desmembramento já teria sido decidido entre os advogados dos demais réus, que estariam querendo evitar o julgamento em virtude da repercussão dos recentes episódios de violência policial em Diadema, em São Paulo, e na Cidade de Deus, no Rio.
Os promotores José Mui¤os Pi¤eiro Filho, Maurício Assayag e Marcos André Chut vão pedir a condenação de Alvarenga por 21 homicídios duplamente qualificados (cometido de forma torpe e de maneira a impedir qualquer chance de defesa da vítima) e quatro tentativas de homicídio. Nesse caso, Alvarenga estará sujeito a uma pena de até 630 anos de prisão - a legislação brasileira, no entanto, não permite que nenhum condenado cumpra mais do que 30 anos de cadeia. A intenção dos promotores é de que a pena fixada para cada homicídio seja de 19 anos, para inviabilizar um protesto por novo júri - direito também assegurado no Brasil para quem é condenado a mais de 20 anos por apenas um crime. Se isso ocorrer, Alvarenga estará sujeito a até 399 anos de prisão.


