Curitiba, 29 (AE) - O Tribunal do Júri de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, começou a julgar hoje mais três acusados da morte do menino Evandro Ramos Caetano
de 7 anos. Ele teria sido morto em um ritual de magia em Guaratuba, litoral do Paraná, em abril de 1992. Em março de 98 foram inocentadas da acusação de encomendar o crime Celina e Beatriz Abagge, mulher e filha do ex-prefeito do município, Aldo Abagge.
Hoje o pai-de-santo Osvaldo Marcineiro, de 47 anos, e seus amigos Vicente de Paula Ferreira, de 48 anos, e Davi dos Santos Soares, de 37 anos, começaram a ser ouvidos. Eles negam ter cometido o crime e alegam que as confissões foram feitas sob tortura. A previsão é de que o julgamento demore cerca de 20 dias. Os três deveriam ter sido julgados no ano passado, mas uma jurada passou mal e o júri foi adiado. Outros dois acusados, Airton Bardelli e Sérgio Cristofolini, esperam a indicação de advogado de defesa para ir a julgamento.
O advogado de defesa dos três réus, álvaro Borges Júnior
vai usar o mesmo argumento que inocentou Celina e Beatriz Abagge: a falta de prova conclusiva de que o corpo encontrado seja o de Evandro Ramos Caetano. "Há muita divergência sobre se aquele corpo é ou não de Evandro", disse. Segundo Borges, o laudo da necropsia é inconclusivo e o exame de DNA, feito por uma empresa privada de Belo Horizonte, não é oficial. "É uma prova que não tem o contraditório", afirmou.
Além disso, o advogado pretende mostrar que o processo apresenta falhas desde o início. "Está escancarado que houve manipulação no processo, procuraram um culpado e existe muita questão política." De acordo com o advogado, a confissão do crime foi feita sob tortura.Os acusados estão em prisão domiciliar desde 1997.
O promotor Paulo Sérgio de Lima pretende mostrar que não houve torturas. "Há fitas de vídeo que mostram de forma inegável e irrefutável que as confissões foram tomadas de forma tranquila", disse. "Numa delas o acusado Osvaldo Marcineiro fala com absoluta tranquilidade detalhes do crime, sem que haja perguntas do interlocutor." Segundo ele, o exame de DNA e de arcada dentária são provas incontestáveis de que o corpo encontrado é do menino desaparecido. O júri é presidido pelo juiz da 4ª Vara Cível de Curitiba, Marco Antônio Antoniassi.

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