Ilha Imrali, Turquia, 31 (AE-AP) - Teve início nesta segunda-feira (31) na ilha-prisão de Imrali, na Turquia, o julgamento do líder rebelde curdo Abdullah Ocalan. Na abertura do julgamento, que foi transmitida pela televisão estatal turca, Ocalan pediu por sua vida e afirmou estar pronto para cooperar com o Estado turco na busca da paz. "Pela paz e pela irmandade, estou pronto para servir o Estado turco, e acredito que para isso terminar tenho que permanecer vivo", disse Ocalan à corte que o julga por traição. O julgamento está acontecendo num cinema adaptado na prisão da ilha de Imrali, de onde Ocalan é o único ocupante. Durante todo o processo ele permanecerá sentado dentro de uma caixa de vidro à prova de balas e de bombas.
Em sua primeira aparição pública desde que foi tranferido para a ilha em 17 de fevereiro, Ocalan, que parece ter perdido peso, disse à corte que não foi torturado nem maltradado. Ele pediu perdão às famílias dos mais de 5 mil soldados que morreram na guerra de 15 anos entre seus rebeldes e o governo. Depois do pronunciamento do líder curdo os promotores deram início à leitura do documento de acusação de 139 páginas contra ele.
Os curdos deram hoje (31) continuidade à sua luta contra as tropas turcas no sudoeste do país, onde 10 rebeldes e um oficial foram mortos nos conflitos. Na cidade de Osmaniye, quatro bombas foram detonadas pela polícia em um parque. Apesar de quatro pessoas terem sido presas ainda não se tem certeza se trata-se de um ataque planejado pelos rebeldes. Centenas de parentes de soldados turcos mortos se reuniram na cidade portuária de Mudanya, perto de Imrali, para pedir pela sentença de morte para Ocalan. Na Europa, vários curdos protestaram contra o julgamento. Um exemplo foi na Holanda, onde os defensores de Ocalan se recusaram a mandar os filhos para a escola e planejam para o sábado uma manifestação em Haia.

mockup