Começa julgamento de ex-auxiliar de enfermagem; Ele nega ter matado pacientes
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2000
Por Andreia Maia 
Rio, 17 (AE) - Começou hoje, no 3º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, o julgamento do ex-auxiliar de enfermagem Edson Izidoro, de 43 anos. Ele é acusado de matar com doses de potássio ou desligando equipamentos as pacientes terminais Márcia Garnier Pereira, Maria Aparecida Pereira, Francisca Teresa Coutinho de Oliveira e Matias Gomes. Todas morreram nos plantões de Izidoro no Hospital Salgado Filho, no Rio. Ele é suspeito de outras mortes. Izidoro negou as acusações. O julgamento deve terminar amanhã (18).
O promotor Marcelo Rocha Monteiro quer a condenação de Izidoro, que ficou conhecido como "Anjo da Morte", por homicídio triplicamente qualificado, o que pode significar uma pena de 48 a 120 anos de prisão. Izidoro - usando barba e vestindo calça jean e camisa xadrez - chegou ao tribunal às 13 horas, algemado e escoltado por dois policiais.
"Ele matou muitos pacientes, inclusive o meu pai", disse emocionada Sueli Pires Cazzoni, de 47 anos, que perdeu o pai, o aposentado Eduardo Pires, durante um plantão de Izidoro, dia 30 de novembro de 1994.
Interrogado, o ex-auxiliar de enfermagem negou as acusações. Ele sustentou a tese de que confessou o crime porque foi espancado pela polícia e ameaçado de morte. "Fui coagido e agredido fisicamente", disse. Além disso, Izidoro afirmou que foi mal orientado por seu primeiro advogado, que o obrigou a assumir as mortes diante da imprensa. Agora ele está sendo orientado por Arisnaldo de Oliveira Paiva,
O ex-auxiliar de enfermagem acrescentou que as acusações fazem parte de um complô para incriminá-lo. "Colocaram uma armadilha para mim", acrescentou. " Era querido no hospital e já havia recebido até elogios da direção." Nos primeiros depoimentos, o ex-auxiliar de enfermagem chegou a confessar as quatro mortes, dizendo que agia por caridade e por pena de suas vítimas, em estado terminal. Dias depois, afirmou que matava os pacientes para receber dinheiro de funerárias. Ele receberia cerca de R$ 100 por óbito.
Testemunhas - No final da tarde, começaram os depoimentos de três testemunhas arroladas pelo Ministério Público e duas pela defesa. Um fato chamou a atenção do juiz. O promotor dispensou o depoimento da principal testemunha de acusação, a auxiliar de serviços gerais Cátia Rodrigues Honório. Foi ela que procurou a direção do hospital e informou que Izidoro matava suas vítimas com dose excessiva de potássio. Izidoro foi preso dia 7 de maio, após a denúncia da faxineira.


