Rio, 01 (AE) - Os empresários Mansur José Mansur, Eduardo Spíndola e Maria Teresa Spíndola, donos da Clínica Santa Genoveva - onde 102 idosos morreram em 1996 - estão sendo julgados na 1ª Vara Cível do Rio. A costureira Regina Alves Pixinine, que perdeu a mãe Mercedes Fernandes Alves, de 77 anos, em 20 de abril, internada na clínica, pede indenização no valor de R$ 130 mil por danos morais.
Quatro testemunhas ouvidas ontem pelo juiz Marco Antônio Ibrahim confirmaram as denúncias de maus-tratos. A decisão do juiz deve ser anunciada no final da noite e pode abrir precedentes para outros processos caso os réus sejam condenados.
De acordo com o advogado de Regina, Mauro Castro Anátocles, uma possível condenação pode ajudar no julgamento de 14 ações que tramitam na Justiça todas pedindo indenizações. Os autores são parentes 102 idosos mortos na clínica e as ações podem ser julgadas nos próximos meses. Somados, os pedidos de indenização ultrapassam R$ 3 milhões. "Eles agora vão ter que pagar por essa tragédia", disse o advogado.
A parte criminal está parada na 38ª Vara Criminal há cerca de seis meses. De acordo com Anátocles, faltam documentos que deveriam ser anexados ao processo e ainda não foram entregues por familiares das vítimas.
Inferno - "Na clínica não faltava apenas comida, mas humanidade com pessoas idosas que buscam tratamento médico", disse Regina. Na audiência, ela afirmou que internou a mãe na clínica para tratamento de infecção urinária, em novembro de 1996. Cinco meses depois ela morreu e o diagnóstico da clínica foi desidratação."Minha mãe dizia que lá era um inferno", recordou Regina. Ela acrescentou que levava comida e água para Mercedes e outros idosos, pois eles reclamavam das condições de higiene da instituição.
O advogado de defesa, Clóvis Sahione, alega que não houve negligência nem maus-tratos por parte dos donos da Santa Genoveva."Eles eram pacientes terminais", disse Sahione. "A Justiça vai avaliar que não existe a causa de dano moral, já que os pacientes não trabalhavam e muitos não tinham família", ressaltou o advogado.
Até o início da noite de hoje haviam sido ouvida as quatro testemunhas, entre elas a deputada federal (PCdoB) Jandira Fegahlli - que integrou a comissão da Câmara Federal que visitou a clínica. Elas confirmaram que constataram irregularidades na clínica, tais como deterioração de alimentos e água suja. Em seguida, as testemunhas de defesa prestariam depoimento.

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