São Paulo, 02 (AE) - A Promotoria de Justiça da Cidadania deve começar, na próxima semana, a convocar alguns dos citados no inquérito civil aberto para investigar denúncia de pagamentos irregulares às empresas prestadoras de serviço de limpeza pública. O inquérito foi instaurado em abril, sob a responsabilidade do promotor Fernando Capez, para apurar suposto ato de improbidade administrativa envolvendo o prefeito Celso Pitta (sem partido), o ex-secretário municipal de Serviços e Obras Reynaldo de Barros
o ex-secretário das Administrações Regionais Alfredo Mário Savelli e o ex-diretor do Departamento de Limpeza Urbana Carlos Alberto Venturelli.
Os presidentes das empresas e os administradores regionais do período entre 1997 e 1998 também podem ser chamados. De acordo com Capez, que não quis adiantar o nome dos interrogados, o inquérito deverá estar encerrado em 40 dias.
Os depoimentos prestados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais foram os fatores determinantes para o início das apurações. Em março, o presidente da Enterpa Ambiental, Roberto Rocha, disse ter pago propina funcionários da AR-Penha e um funcionário da Sé detalhou esquema de propina do lixo com a Vega. Segundo a representação feita ao Ministério Público, a Prefeitura estaria causando prejuízos ao erário ao pagar às empresas de limpeza valores superiores aos serviços efetivamente prestados, violando ajuste contratual celebrado com a administração. As empresas contratadas estariam executando a varrição de ruas com frequência 62% menor do que a estipulada em contrato, o que estaria provocando desperdício anual de R$ 130 milhões aos cofres públicos.
Fraudes - Suspeitas de fraudes e corrupção na limpeza urbana não são novidade. Em 1996, os escândalos vieram à tona com os aumentos abusivos - quando os gastos da Prefeitura com a varrição de ruas atingiram R$ 213 milhões. Entre 1995 e 1996 - ano em que o então prefeito Paulo Maluf comandava a campanha de seu sucessor, Celso Pitta (sem partido) - a verba aumentou em 65%. Em 1992, os gastos com varrição e coleta de lixo consumiram R$ 98 milhões e, em 1993, subiram para R$ 103 milhões. Chegou a R$ 197 milhões em 1994.
À época, as empresas que realizavam a limpeza urbana eram Vega Sopave, Enterpa, Cavo, CBPO e Pavter. Hoje, a CBPO tornou-se Cliba e a Pavter foi incorporada pela Vega. Algumas dessas empresas foram protagonistas do chamado escândalo Pau-Brasil, empresa que recolhia fundos para a campanha de Paulo Maluf à Prefeitura de São Paulo, em 1992.
O Grupo Odebrecht doou US$ 5,7 milhões; a OAS, da Vega-Sopave
U$ 810 mil e a Enterpa, U$ 327 mil. Em 1996, a Cavo fez doações para a campanha de quatro vereadores paulistanos. Deles, dois tinham o controle de regionais onde a empresa presta serviço: Bruno Feder (PTB), que controlava a regional da Vila Mariana, e o deputado federal José Índio Ferreira do Nascimento (PMDB-SP), que controlava a da Mooca. Na época, ambos eram filiados ao PPB, partido de Maluf.

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