Começa hoje o II Fórum Social Mundial
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2002
Yana Marull France Presse 
Porto Alegre - O II Fórum Social Mundial (FSM), considerado o maior evento de oposição à globalização neoliberal, tem início hoje em Porto Alegre, onde é esperada a chegada de 60 mil participantes, um número três vezes maior do que sua primeira edição, em 2001.
O novo Fórum que coincidirá com o Fórum Econômico Mundial de Nova York, ao qual se opõe será inaugurado depois de uma grande passeata pela paz. Este será o primeiro grande encontro das organizações sociais do mundo inteiro depois dos atentados terroristas de 11 de setembro, um de seus temas dominantes.
O 11 de setembro tornou nossos programas mais relevantes e urgentes, porque, apesar de ter ficado claro que nem Bin Laden, nem seus seguidores se preocuparam com os pobres os de sua sociedade, também é claro que o terrorismo se nutre da pobreza e da exclusão, e acho que isso será o ponto central em Porto Alegre, declarou a ativista da organização francesa Attac (Ação pela Tributação das Transações Financeiras e em Apoio aos Cidadãos), Susan George.
A cidade com 1,3 milhão de habitantes está praticamente preparada: não existe uma só vaga nos hotéis. Gradualmente começaram a chegar os convidados mais conhecidos, entre eles a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Mary Robinson, o diretor geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Juan Somavía, os Prêmio Nobel da Paz Rigoberta Menchú (Guatemala, 1992) e Adolfo Pérez Esquivel (Argentina, 1980).
Mais de mil eventos, entre conferências, debates, seminários e atividades culturais integram este macrofórum que se estenderá até o dia 5 de fevereiro e no qual mais de 5 mil organizações exporão seus pareceres para uma nova ordem mundial.
Com o debate sobre a paz e o mundo depois de 11 de setembro, outros temas da atualidade também brilharão em cena, como a situação na Argentina, com demandas de justiça social e reforma por parte do Fundo Monetário Internacional, acusado pelos participantes do FSM de responsável pelos problemas que atingem os países.
Apesar da voz majoritária das organizações condenar a guerra no Afeganistão, o Fórum Social Mundial também tomou posição contra o terrorismo, e vetou o acesso de organizações que podem estar vinculadas a grupos envolvidos com o terrorismo, como o grupo armado espanhol ETA, afirmou o prefeito Tarso Genro.
No dia 4 será realizada outra grande passeata, esta contra a Área de Livre Comércio para as Américas (ALCA), com a qual as organizações querem iniciar uma campanha e referendos para que a população se defina a respeito da questão, explicou Miola.
Porto Alegre acaba de ser confirmada como a sede mundial da antiglobalização: a cidade repetirá o evento em 2003. A França foi proposta como sede, mas as organizações decidiram que deviam se manter no Sul, confirmou o organizador Sérgio Haddad. Mesmo assim, a idéia é levar o encontro, a partir de 2004, para a Ásia ou a África.
Um evento paralelo ao Fórum começou segunda-feira e terminou ontem: O Fórum de Autoridades Locais contra a Exclusão Social, com cerca de mil participantes, entre eles 200 prefeitos, principalmente a esquerda.


