Porto Alegre - O II Fórum Social Mundial (FSM), considerado o maior evento de oposição à globalização neoliberal, tem início hoje em Porto Alegre, onde é esperada a chegada de 60 mil participantes, um número três vezes maior do que sua primeira edição, em 2001.
O novo Fórum – que coincidirá com o Fórum Econômico Mundial de Nova York, ao qual se opõe – será inaugurado depois de uma grande passeata pela paz. Este será o primeiro grande encontro das organizações sociais do mundo inteiro depois dos atentados terroristas de 11 de setembro, um de seus temas dominantes.
‘‘O 11 de setembro tornou nossos programas mais relevantes e urgentes, porque, apesar de ter ficado claro que nem Bin Laden, nem seus seguidores se preocuparam com os pobres os de sua sociedade, também é claro que o terrorismo se nutre da pobreza e da exclusão, e acho que isso será o ponto central em Porto Alegre’’, declarou a ativista da organização francesa Attac (Ação pela Tributação das Transações Financeiras e em Apoio aos Cidadãos), Susan George.
A cidade com 1,3 milhão de habitantes está praticamente preparada: não existe uma só vaga nos hotéis. Gradualmente começaram a chegar os convidados mais conhecidos, entre eles a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Mary Robinson, o diretor geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Juan Somavía, os Prêmio Nobel da Paz Rigoberta Menchú (Guatemala, 1992) e Adolfo Pérez Esquivel (Argentina, 1980).
Mais de mil eventos, entre conferências, debates, seminários e atividades culturais integram este macrofórum que se estenderá até o dia 5 de fevereiro e no qual mais de 5 mil organizações exporão seus pareceres para uma nova ordem mundial.
Com o debate sobre a paz e o mundo depois de 11 de setembro, outros temas da atualidade também brilharão em cena, como a situação na Argentina, com demandas de justiça social e reforma por parte do Fundo Monetário Internacional, acusado pelos participantes do FSM de responsável pelos problemas que atingem os países.
Apesar da voz majoritária das organizações condenar a guerra no Afeganistão, o Fórum Social Mundial também tomou posição contra o terrorismo, e vetou o acesso de organizações que podem estar vinculadas a grupos envolvidos com o terrorismo, como o grupo armado espanhol ETA, afirmou o prefeito Tarso Genro.
No dia 4 será realizada outra grande passeata, esta contra a Área de Livre Comércio para as Américas (ALCA), com a qual as organizações querem iniciar uma campanha e referendos para que a população se defina a respeito da questão, explicou Miola.
Porto Alegre acaba de ser confirmada como a sede mundial da antiglobalização: a cidade repetirá o evento em 2003. A França foi proposta como sede, mas as organizações decidiram que ‘‘deviam se manter no Sul’’, confirmou o organizador Sérgio Haddad. Mesmo assim, a idéia é levar o encontro, a partir de 2004, para a Ásia ou a África.
Um evento paralelo ao Fórum começou segunda-feira e terminou ontem: O Fórum de Autoridades Locais contra a Exclusão Social, com cerca de mil participantes, entre eles 200 prefeitos, principalmente a esquerda.

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