Começa em Recife a restauração da primeira sinagoga das Américas
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segunda-feira, 18 de março de 2002
Fábio Guibu<br>Agência Folha 
Recife - Um show multicultural que uniu música clássica, canções judaicas e maracatu marcou ontem em Recife a solenidade de inauguração das obras de restauração da primeira sinagoga das Américas, a Kahal Zur Israel.
O local, que está aberto à visitação pública desde dezembro do ano passado, foi transformado em um centro cultural judaico e não será mais destinado à realização de cerimônias religiosas.
Na solenidade, os Correios lançaram um selo comemorativo, e a Casa da Moeda, uma medalha com cinco cm de diâmetro cunhada em ouro, prata e bronze.
Prevista para acontecer em setembro, a cerimônia foi adiada por duas vezes em virtude dos atentados terroristas nos EUA e de problemas na agenda do presidente Fernando Henrique Cardoso, convidado para a festa.
FHC não veio de novo - viajou para o México - , mas dessa vez o evento foi mantido. O vice-presidente Marco Maciel e o ministro da Cultura, Francisco Weffort, representaram o governo.
Fundada em 1637, a sinagoga funcionou até 1654, quando os holandeses que invadiram Pernambuco foram expulsos pelos portugueses. O retorno do domínio lusitano trouxe de volta a intolerância religiosa da Inquisição, o que forçou a saída dos judeus que viviam em Recife.
Mais de 340 anos depois, o local onde funcionou o templo foi localizado sob um armazém no bairro de Recife Antigo e restaurado durante dois anos, a um custo de R$ 1,2 milhão.
Nas prospecções arqueológicas foram encontrados oito níveis de pisos, correspondentes aos sucessivos aterros feitos no local, além de objetos, como fragmentos de porcelanas, cachimbos e pinturas de candelabros, um dos elementos do judaísmo.
A prova definitiva da existência no passado de uma sinagoga foi encontrada a 90 cm de profundidade: um mikvê, pequena piscina de água corrente utilizada nos rituais do banho de purificação.
Os restauradores cobriram com vidro o mikvê e a base de uma muralha supostamente construída pelos portugueses no século 17, também descoberta durante as escavações.
As paredes descascadas, que revelam as mudanças de materiais e de configurações internas realizadas nos prédios ao longo dos anos, foram mantidas. Parte do piso original também foi preservada, protegida por grades.
O local destinado aos rituais religiosos foi reconstruído a partir do modelo das sinagogas portuguesas de Amsterdã e Curaçao, erguidas na mesma época.


