Agência Estado
De São Paulo
As paredes do Complexo Imigrantes da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) começaram a ser derrubadas ontem. O governador Mário Covas (PSDB) visitou o que restou das Unidades de Atendimento Provisório e Educacional pouco antes de as máquinas começarem a demolir os cômodos queimados na rebelião da semana passada.
Em cinco dias, as alas deixarão de existir. ‘‘Aqui não reabre para pôr criança’’, disse Covas. ‘‘Reabre para qualquer outra coisa.’’ O governador voltou a afirmar que dedicará metade de seu tempo à Febem, até que a crise esteja superada. ‘‘Até que eu possa me apresentar publicamente e dizer que a Febem está nos eixos.’’
Covas quer reformular a instituição. Disse ter um projeto, desenvolvido pela Febem, que pretende discutir com o Ministério Público, o Tribunal de Justiça e entidades envolvidas na recuperação de menores. O novo modelo teria natureza pedagógica, em acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente. As unidades teriam capacidade para acolher de 80 a 100 adolescentes, divididos de acordo com seu perfil. ‘‘Essas não serão iguais às outras.’’
O governador disse não saber ainda o que o estatuto, promulgado em 1990, proíbe em relação aos menores. A reavaliação do atual modelo da Febem é necessária, segundo ele, porque a instituição é anterior ao estatuto e tudo o que foi construído seguia o antigo modelo.
Enquanto isso, os adolescentes que estavam no Complexo Imigrantes e foram transferidos devem continuar na Cadeia Pública 3, em Pinheiros, e no Centro de Observação Criminológica do Carandiru. Covas disse que vai recorrer de uma liminar da Justiça que manda retirar adolescentes do Carandiru. ‘‘Onde quer que eu os ponha?’, perguntou. ‘‘Mandar tirar é fácil.’ Ele disse ainda não acreditar que a ação da Tropa de Choque na rebelião da semana passada tenha sido abusiva.
A situação de caos, para Covas, é resultado do aumento da violência nas cidades. ‘‘O número de infratores cresce em proporção desigual ao de vagas.’’
Cada interno da Febem custa ao Estado R$ 1,7 mil. De acordo com a secretária de Assistência e Desenvolvimento Social, Marta Godinho, o preço é menor quando a responsabilidade é entregue a instituições particulares: R$ 1,1 mil. ‘‘Conhece alguma coisa que seja mais barata para o governo?’’, perguntou Covas.
Nove internos fugiram ontem da Febem de Franco da Rocha, Grande São Paulo, após a unidade ter sido invadida por três jovens armados, às 18h30. Os invasores chegaram ao prédio pela mata vizinha, mas foram vistos pelos vigias, que deram o alarme. Os internos aproveitaram a confusão para pular o alambrado. Quatro deles foram recapturados.
Duas rebeliões agitaram ontem a unidade da Febem, em Ribeirão Preto. A movimentação começou com uma briga entre dois internos, às 23 horas de anteontem, que culminou com a transferência de 26 menores para o anexo prisional do 1º Distrito de Polícia. No início da tarde, uma nova rebelião precisou da participação efetiva da Polícia Militar e até reforço do pelotão de trânsito para conter os garotos.Governador Mário Covas visitou a unidade pouco antes do início dos trabalhos e prometeu a reformulação do sistema de atendimento aos menores
Agência EstadoAbaixoTrator derruba os cômodos que foram queimados durante a rebelião de internos da semana passada

mockup