Rio, 11 (AE) - Começou hoje, no Rio, a campanha para coletar um milhão de assinaturas e apresentar ao Congresso um projeto contra a comercialização de armas no País. Em apenas duas horas, professores e alunos do Colégio Bennet, na zona sul, conseguiram 1.700 assinaturas. Idealizada pelo movimento "Viva Rio" e pelo governo do Estado, a campanha vai se estender até agosto e os abaixo-assinados estão sendo passados nas escolas públicas e particulares, paróquias, igrejas evangélicas, associações de moradores e sindicatos.
A missão é difícil. Desde que foi criado pela Constituição de 1998, o mecanismo de coleta de assinaturas para iniciativas populares de lei só funcionou uma vez, na formação do Fundo Nacional de Habitação, que conseguiu reunir o um milhão de assinaturas exigido constitucionalmente. O subsecretário de Segurança do Estado, Luiz Eduardo Soares, demonstrou otimismo. "Se em algumas horas reunimos 1.700 assinaturas, vamos chegar a um milhão", afirmou ele, no lançamento oficial da campanha, pela manhã, na quadra da Associação de Moradores da Vila Pereira da Silva, em Laranjeiras, zona sul.
A pedido do governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), o deputado Carlos Minc (PT) chegou a apresentar um projeto de lei à Assembléia Legislativa proibindo a venda de armas no Estado, que deve ser votado nos próximos dois meses. A competência estadual para o tema, no entanto, é questionada por juristas e pelos defensores das armas. "Há controvérsia e, para evitar problemas legais de interpretação, demos um passo mais ousado, que é o lançamento de uma campanha por uma lei para todo o País", disse Soares.
Adesão - Segundo ele, o governo espera que a campanha se amplie com a adesão de outros Estados. "Recebemos algumas consultas de entidades em São Paulo que, por seu peso político e econômico, seria fundamental para conseguirmos as assinaturas", afirmou. Durante a cerimônia de lançamento, personalidades como o jogador de futebol Romário, o ex-jogador Zico, as atrizes Lucélia Santos e Maitê Proença, mandaram mensagens em favor do desarmamento. Pessoas físicas podem participar, juntando um mínimo de dez assinaturas e enviando o documento para o "Viva Rio" pelo telefone/fax 0800 25-2000.
Curso - O tenente-coronel Edson Eurico dos Santos, comandante do 2º Batalhão da Polícia Militar (Botafogo) anunciou
durante o ato, que começará em junho o primeiro curso ministrado pelos policiais a porteiros de prédios, ensinando como identificar possíveis ladrões. A iniciativa é uma resposta ao aumento de assaltos a edifícios no Rio. No domingo, um assalto a um prédio na Lagoa, na zona sul, resultou na morte da médica Rosita Bichucher, de 61 anos.
O curso será estendido aos demais batalhões da cidade. Segundo o coronel, a forma de carregar uma valise ou um ramo de flores pode denunciar um assaltante. "Vamos nos reunir na próxima terça-feira com as associações de moradores, que vão nos apresentar um cadastro de porteiros a quem poderemos treinar", contou. "Estamos preocupados também em conscientizar os síndicos da importância de adquirir sistemas de identificação". Santos negou, porém, que a polícia esteja repassando aos prédios a responsabilidade pela segurança. "Não temos como colocar um policial em cada prédio", justificou.

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