São Paulo, 30 (AE) - Começam amanhã (31) e se prolongam por oito dias as celebrações do Pessach, a páscoa dos judeus. Nas casas onde são observadas as tradições judaicas, as famílias se reunirão à noite para recordar a libertação do povo israelita do domínio egípcio, ocorrida no século 13 a.C. A festa é marcada por um jantar especial, o seder, que se desenvolve de acordo com um ritual composto por 15 passos sequenciais.
O Pessach é uma das três festas mais importantes do calendário religioso judaico - ao lado do Dia do Perdão e do ano-novo. Não tem relação direta com a Páscoa dos católicos, que será comemorada no domingo e relembra a ressurreição de Jesus Cristo, o messias. Hoje, em São Paulo, alunos da 7.ª série da escola judaica Isaac L. Peretz foram visitar uma escola católica
o Colégio Madre Cabrini, na zona sul, para mostrar a eles o que é o seder.
Foi uma uma festa de confraternização religiosa. Os alunos do Peretz montaram uma mesa com os alimentos típicos da ceia, entre os quais o mais conhecido é a matza - pão sem fermento, ou pão ázimo. Foi o que os judeus consumiram durante a fuga do Egito, porque não havia tempo para esperar a fermentação. Nas famílias mais tradicionais, durante os oito dias do Pessach não se ingere nenhum tipo de alimento fermentado
tal como bolacha e cerveja.
Segundo o rabino David Weitman, da Congregação Beit Yacov, de São Paulo, o Pessach marca o nascimento do povo judeu. "Foi quando as tribos de Israel se constituíram como nação", diz. Ele explica que foi numa noite como a de amanhã, há 3.311 anos, que Moisés avisou os judeus no Egito para que marcassem os umbrais de suas casas com sangue de cordeiro. Era para evitar a entrada da morte, enviada por Deus para levar todos os primogênitos.
"Desde menina ouço essa história", diz a psicóloga Rosa Cecília Gordon, de 53 anos, moradora da Vila Olímpia, zona sul de São Paulo. "Minha mãe e meus tios se reuniam, com todos os seus filhos, e faziam uma festa muito bonita, alegre, dentro dos rituais determinados pelas autoridades religiosas". Rosa Cecília procura manter a tradição. Amanhã vai reunir-se com o marido, a filha casada, o genro e os três filhos solteiros para o seder. "Vamos repetir a história, lendo textos em hebraico e em português e no fim iremos cantar".

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