Começa amanhã julgamento dos 24 envolvidos no Escândalo da Mandioca
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 1999
Por Angela Lacerda 
Recife, 23 (AE) - Os 24 envolvidos no desvio de R$ 1,5 bilhão do Banco do Brasil em Floresta, no sertão pernambucano, fraude conhecida como Escândalo da Mandioca, começam a ser julgados amanhã (24), no Tribunal Regional Federal, no Recife. O processo criminal foi aberto em outubro de 1981, há 18 anos. A previsão é de que o julgamento demore 20 horas. Ele será acompanhado pelo procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro.
O procurador da República Pedro Jorge de Melo e Silva, que investigava o caso, foi assassinado em 1982, ao sair de uma padaria, no bairro de Jardim Atlântico, em Olinda, onde morava. Os seus assassinos foram julgados um ano depois e condenados a 31 anos de prisão cada. Entre eles, o mandante do crime, o ex-major PM José Ferreira dos Anjos, um dos beneficiários da fraude.
Os implicados no Escândalo da Mandioca, funcionários do Banco do Brasil, políticos, advogados, servidores públicos, policiais militares e fazendeiros, foram beneficiados com créditos destinados a pequenos produtores para plantio de mandioca e outras culturas, num esquema comandado pelo então gerente do BB em Floresta, Edmílson Soares Lins.
Além de desviar o dinheiro dos financiamentos irregulares para contas de poupança, por exemplo, muitos deles ainda receberam indenizações do Proagro sob a alegação de que a colheita (nem havia lavouras ) havia sido frustrada em razão da seca. Foi utilizada muita documentação falsa.
O processo tem 76 volumes e mais de 20 mil páginas e já passou pelas mãos de quatro procuradores da República. A acusação mais grave, de peculato (desvio de dinheiro público) prevê pena de 5 a 12 anos de prisão. Mesmo se condenados, os réus poderão recorrer da sentença ao Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal.
Simultaneamente à abertura do processo criminal, em 1981
também foi impetrada, pela Procuradoria da República, uma ação de sequestro de bens. Segundo o procurador regional da República
Joaquim Dias, os bens que se encontravam em nome dos envolvidos foram sequestrados e passaram para o domínio da União. Isso não significa que a União tenha sido ressarcida, já que nem todos registraram em seus nomes os bens adquiridos com dinheiro da fraude.
Tentativa - Os advogados de três dos réus tentaram hoje adiar o julgamento. José de Siqueira Silva e José de Siqueira Júnior, que defendem os acusados Djair Novaes, e Juarez Vieira da Cunha, advogado do ex-major PM José Ferreira dos Anjos, entraram com pedidos de adiamento no Tribunal Regional Federal. Eles foram indeferidos pelo relator do processo,José Maria Lucena, que disse não ser possível adiar a sessão porque "redundaria em descrédito para a imagem do Poder Judiciário".
Entre os réus estão são Edmílson Soares Lins (ex-gerente do BB em Floresta); José Ferreira dos Anjos (ex-major PM); Vital Cavalcanti Novaes (ex-deputado estadual); Jarbas Salviano Duarte (ex-supervisor de cadastro do BB/Floresta); Eduardo Wanderley Costa (ex-supervisor do setor de Operações do BB); Antônio Oliveira da Silva (agricultor); Adriano Marques de Carvalho; Ana Maria Barros (titular do Cartório do Registro de Imóveis de Floresta); Ancilon Gomes Filho (fazendeiro); Audas Diniz de Carvalho Barros (oficial da PM); Djair Novaes (advogado); Francisco de Assis Leal (comerciante); Heronides C. Ribeiro (topógrafo); Ivanilson B. dos Santos (investigador de cadastro do BB) ;Roberto Batuíra Furtado da Cruz; Palmério Olímpio Maia; Ademar Pereira Brasileiro e Juarez Ferreira da Cunha.


