Lérida, Espanha, 01 (AE) - Agora está declarada a guerra entre Brasil e Espanha pela Copa Davis de Tênis, com o início dos jogos, em Lérida. O clima amistoso de declarações amigaveis terminou. O técnico espanhol, Manolo Santana, abandonou o dircurso diplomático e pediu para a torcida não ser muito "doce" e devolver pelo menos em parte o que seus jogadores sofreram no ano passado em Porto Alegre. A prova começa logo cedo.
Nesta sexta-feira, a partir das 6 horas de Brasília, Fernando Meligeni (58º do ranking) vai ter a responsabilidade de fazer a partida de abertura diante do número 1 da Espanha, Carlos Moya (2º do ranking), e a seguir Gustavo Kuerten (18) enfrenta Alex Corretja (6). A Globosat/SporTV está anunciando a transmissão ao vivo.
A declaração de Santana não aconteceu na formalidade da entrevista coletiva, tradicional da cerimônia de sorteio. Saiu quase que como um pedido a alguns jornalistas espanhóis para que incentivassem a torcida a ser um pouco mais provocativa que o normal. Tomou o cuidado de não chegar a instigar.
"Gostaria que os brasileiros sentissem pelo menos um pouco do que os espanhóis passaram em Porto Alegre", pediu Santana. "Queria que o público de Lérida fizesse algo similar, mas sem exageros." A preocupação de Santana, ex-jogador de Copa Davis que já enfrentou o Brasil por quatro vezes, mostra que não está tão seguro de uma vitória fácil dos espanhóis. Para ele, além da força individual de seus tenistas, o público deve ser um importante aliado.
MELIGENI - No teste de quadra, Fernando Meligeni disse não ter sentido mais dores no tornozelo esquerdo e que sente-se 100% em condições de estar na quadra nesta sexta-feira para enfrentar Carlos Moya. "Não entraria na quadra se não estivesse em perfeitas condições", garantiu o jogador. "Acho que o Márcio Carlsson está jogando bem e poderia entrar no meu lugar."
SuaS reais condições, no entanto, ainda são um mistério. Afinal, no início da semana o tornozelo estava bem inchado e preocupou bastante. Mas, o próprio jogador garante não sentir mais dores. E o que deve acontecer mesmo é "Fininho", como é conhecido, colocar o coração à frente e partir para o sacrifício
como ele disse. "Em jogos da Copa Davis, às vezes, vale mais o coração do que uma boa posição no ranking".
GUGA - Principal jogador da equipe brasileira, Gustavo Kuerten vai ter um jogo muito especial: faz sua estréia em jogos de simples pela Davis, fora do Brasil. Até agora todas suas partidas de simples tinham sido em quadras brasileiras e fora só jogou duplas com o Chile.

A situção não deixa Guga preocupado nem mesmo mais ansioso. Campeão de Roland Garros garante estar solto e procura passar a pressão para o lado adversário. "Os espanhóis são favoritos e têm a responsabilidade de vencer", disse Kuerten. "Eu me sinto bem, temos uma boa equipe que podemos surpreender."
RETROSPECTO - Das seis vezes que Brasil e Espanha se enfrentaram pela Davis, os brasileiros venceram apenas uma, justamente em Barcelona, em 1964, com Thomas Koch e Ronald Barnes diante de Manolo Santana, Juan Manuel Courder e Luís Arilla. Em 1959, em Barcelona; 66, também em Barcelona, 70; em São Paulo, 88; em Múrcia; e em 98 em Porto Alegre os espanhóis venceram.
Entre os jogadores, Carlos Moya venceu o único jogo diante de Meligeni, justamente na Copa Davis de Porto Alegre no ano passado. Gustavo Kuerten perdeu as duas partidas que fez com Corretja.

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