Começa a depuração da arbitragem no Brasil
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de maio de 1997
Agência Estado 
RIO - O quadro de árbitros da Comissão Nacional de Arbitragem de Futebol (Conaf) vai ser reciclado e depurado depois do escândalo envolvendo corrupção e manipulação de resultados no órgão. Essa é uma das mudanças que vão ser anunciadas hoje à tarde, na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), após a primeira reunião da comissão formada por ex-árbitros da Fifa.
Encabeçada pelo presidente da CBF, Ricardo Teixeira, a comissão será formada por Armando Marques, Arnaldo César Coelho, Renato Marsiglia e José Roberto Wright. A depuração do quadro, que tem cerca de 400 árbitros, é necessária, na avaliação dos dirigentes da CBF. Há suspeita sobre a atuação de alguns profissionais. Há muito juiz de Goiás nesse quadro, observou um dirigente da entidade, referindo-se ao fato de Ivens Mendes ter uma predileção por árbitros goianos.
A descentralização das decisões vai permitir a escalação dos árbitros por eleição. É assim que age um colegiado, observou Renato Marsiglia. Ele decidiu colaborar com a CBF, mas sem participar da escala, por uma questão ética. Marsiglia é comentarista da RBS TV e da Rádio Zero Hora. Arnaldo César Coelho também está disposto a colaborar para moralizar a arbitragem brasileira, mas sem interferir na escolha dos árbitros.
A curto prazo, o objetivo é resgatar a credibilidade da arbitragem. Marsiglia defende uma política de arbitragem e uma filosofia de trabalho para todo o País. O problema é gerencial, não é moral, argumenta. A formação de um quadro de instrutores é outra idéia que deve ser concretizada. Vamos criar cursos para a formação de instrutores, que será o embrião para a Escola Nacional de Arbitragem, revela. É necessário manter curso de aperfeiçoamento dos profissionais, com permanente acompanhamento físico.
O vice-presidente jurídico da CBF, Carlos Eugênio Lopes, estuda a aplicação de punições mais rigorosas para os árbitros que tiverem uma conduta suspeita em campo. Penas mais duras também serão aplicadas aos dirigentes que coagirem os árbitros.
José Roberto Wright, o último a ser convidado por Ricardo Teixeira, atua como supervisor do Fluminense e representante da Umbro no Rio. Por isso, prefere não interferir nas escalas, embora aceite ajudar. Ele disse que no meio da arbitragem já se sabia há muito tempo que algumas manipulações de resultados aconteciam. Se levantarem o histórico do Ivens Mendes vão descobrir muita coisa, acredita.
Arnaldo César Coelho disse que os bons árbitros terão total apoio, para que não se abalem diante das pressões.


