São Paulo, 16 (AE) - Bancos como Bradesco e Unibanco foram os primeiros a procurar informações durante a semana sobre a documentação necessária para participar do leilão de privatização do Banespa, programado para 16 de maio. Ao mesmo tempo, os integrantes da Associação dos Funcionários do Banespa(Afubesp) iniciaram manifestações e paralisações contra a venda do banco federalizado.
A divulgação no Diário Oficial da União, dia 10, do edital de pré-qualificação para a privatização do Banespa, abriu oficialmente a corrida para o mais esperado leilão de privatização dos últimos anos.
Os dirigentes de bancos como Bradesco, Itaú, Unibanco e Safra há muito tempo têm demonstrado interesse pelo banco paulista. Instituições estrangeiras como os bancos espanhóis Bilbao Vizcaya e Santander, o norte-americano Citibank, o britânico HSBC e o holandês ABN-Amro também estão interessadas, afirma Luís Miguel Santacreu, analista da Austin Asis.
Venilton Tadini, diretor do Banco Fator, responsável pelo modelo de privatização, informa que três grandes bancos nacionais e cinco estrangeiros procuraram o Banco Central antes mesmo da publicação do edital. O prazo para a entrega dos documentos com comprovação de capacidade financeira (patrimônio acima de R$ 2,3 bilhões) e estrutura societária vence dia 8 de fevereiro. Até lá, todos os bancos interessados devem trabalhar na surdina, sem manifestações oficiais sobre o assunto.
O presidente da Bolsa de Mercadorias & Futuros e do banco Multi Stock, Manoel Felix Cintra Neto, diz que é forte o interesse por bancos estrangeiros em participar do leilão de privatização do Banespa. Cintra Neto diz que sua instituição - especializada em privatizações - já está com mandato para representar um banco estrangeiro interessado. No jogo de xadrez que se inicia, os nomes dos concorrentes ganham importância fundamental.
Os funcionários, por meio da Afubesp, estão tentando evitar a privatização. Eduardo Rondino, presidente da Afubesp, tentou demonstrar ser inviável a privatização, observando que o passivo trabalhista é incalculável. A direção do Banespa divulgou nota informando que os advogados dos bancos interessados terão acesso a todos os processos.
A Afubesp fez paralisação de uma hora na sexta-feira, nas agências do Banespa. A Afubesp reúne 29 mil dos 36 mil funcionários ativos e inativos. Eduardo Rondino, presidente a Afubesp, contesta o valor reservado pelo banco para o pagamento de aposentadorias dos funcionários contratados antes de 1975. O Banespa fez uma reserva de R$ 3 bilhões. Segundo a Afubesp, o valor mínimo seria de R$ 4,5 bilhões. O analista Pedro Guimarães
do Banco Bozano, Simonsen, diz que os funcionários conhecem a instituição e devem estar com a razão. Guimarães acredita que isso poderia levar até mesmo ao adiamento do leilão.
Alguns consultores acreditam, no entanto, que a Afubesp levou em consideração que todos os funcionários atuais ficariam empregados após a privatização, o que poderia não ser necessariamente verdadeiro e o valor reservado de R$ 3 bilhões seria factível para o pagamento das aposentadorias. A Afubesp promete uma chuva de ações judiciais. A Afubesp já realizou reunião com parlamentares no Rio de Janeiro e promete para o dia 2 de fevereiro buscar o apoio do Congresso Nacional.

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