Combustíveis terão novo reajuste nos próximos dias
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segunda-feira, 02 de agosto de 1999
Por Isabel Braga e Lu Aiko Otta 
Brasília, 03 (AE) - Os combustíveis terão novo reajuste de preços nos próximos dias, informou hoje o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente - que ressaltou, no entanto, não estar acompanhando "de perto" as discussões sobre o assunto. Segundo informou, o aumento ficará em menos de 10%, por determinação do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Estudos da área econômica do governo apontavam para um reajuste mais elevado. "O preço do petróleo, em dólar, subiu mais de 100%, e isso tem um impacto enorme no País", comentou Parente.
O novo aumento ocorrerá inclusive nos preços do óleo diesel. O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, explicou que o acordo fechado com os caminhoneiros na sexta-feira passada, de suspender aumentos no preço do diesel, referia-se apenas a reajustes programados para aquele dia. "Quem cuida desse assunto é a área econômica", disse Padilha.
Parente observou que se houvesse uma decisão de não elevar os preços do óleo combustível, seria necessário encontrar formas de compensar a falta do reajuste. "O governo não quer subsídios artificiais", disse o ministro da Casa Civil.
De janeiro até agora, os combustíveis já subiram de preço quatro vezes. O último reajuste ocorreu no dia 25 de junho
e foi de 18%. Já naquela data o governo anunciou que havia uma diferença de custos ainda a ser repassada ao consumidor - decorrente não só da desvalorização do real ante o dólar, mas também devido à elevação do preço do barril do petróleo no mercado internacional.
Com o quarto reajuste, ocorrido em junho, a gasolina acumulou um aumento de 38% no ano e o diesel, de 16%. No entanto
se o governo fosse repassar ao preço todo o impacto da elevação do dólar e do petróleo, os aumentos teriam de ser de 98% para a gasolina e 67% para o diesel. Por isso, alertou o governo à época, o reajuste havia sido apenas "parcial", ou seja, novos aumentos teriam de ocorrer mais adiante.
Não bastasse essa diferença ainda a ser repassada ao consumidor, o preço do barril de petróleo voltou a subir no mês de julho, assim como a cotação do dólar. Por isso, já no mês passado, havia necessidade de novos reajustes, conforme havia informado o secretário de Acompanhamento Econômico, Cláudio Considera. Segundo o secretário, o aumento de 25 de junho havia sido calculado com o petróleo a US$ 15 o barril e o dólar a R$ 1 74. Um mês depois, o barril já estava custando US$ 19 e o dólar estava acima de R$ 1,80.
Inflação - O governo só não repassou aos preços o impacto total da desvalorização do real e da alta do dólar por temer seus efeitos sobre a inflação. "Manter os preços estáveis depois da mudança da política cambial foi uma vitória do governo Fernando Henrique, e não podemos brincar com isso", disse um integrante da equipe econômica. Por isso, a estratégia tem sido reajustar os preços aos poucos. O governo conta, além disso, com a redução do preço internacional do petróleo e com alguma queda na cotação do dólar - duas coisas que reduziriam a diferença a ser repassada ao consumidor.
Rigorosamente todas as semanas técnicos da Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) calculam qual seria o reajuste necessário aos preços dos combustíveis, de acordo com a oscilação da cotação do petróleo nas principais regiões fornecedoras e também levando em consideração a variação do dólar. O texto de uma portaria autorizando o aumento fica arquivado num computador da Seae, aguardando apenas a definição do percentual. A decisão do aumento, porém, passa pelos ministros da Fazenda, Pedro Malan, das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, e pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.
Se, por um lado, a inflação impede o governo de fazer reajustes mais elevados nos combustíveis, por outro lado a área econômica não pode segurar os preços dos derivados de petróleo abaixo do custo por muito tempo, sob pena de não conseguir cumprir seus compromissos com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Nas contas deste ano, foram incluídos R$ 5,9 bilhões que viriam do superávit da chamada conta-petróleo - onde é registrada a diferença entre o custo dos derivados e de sua venda ao consumidor. De janeiro a junho, a conta-petróleo só conseguiu um saldo positivo de R$ 1,6 bilhão.


