Combustíveis sobem no sábado
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terça-feira, 03 de agosto de 1999
Por Lu Aiko Otta 
Brasília, 04 (AE) - Os preços dos combustíveis sobem em média 9% a partir de zero hora do próximo sábado. O reajuste foi anunciado hoje em nota nota conjunta dos ministérios da Fazenda e das Minas e Energia e atinge também o óleo diesel. O documento esclarece, ainda, que o reajuste teria de ser maior, mas ficou abaixo dos 10% por determinação do presidente Fernando Henrique Cardoso.
O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Cláudio Considera, disse que o reajuste estava programado desde o mês passado. Ele explicou que o aumento ocorrido em julho passado, de 18% na média, deveria ter sido de 31%. No entanto, o governo optou, na ocasião, por parcelá-lo. "Agora, não há mais nenhum aumento planejado", afirmou.
Os reajustes autorizados pelo governo foram de 9% para a gasolina e para o gás de cozinha, 7,5% para o diesel, 15,2% para a nafta petroquímica, 19,5% para o querosene de aviação e 20%, em média, para os óleos combustíveis. Esses percentuais, porém, referem-se aos preços cobrados na refinaria. "O aumento a ser efetivamente pago pelos consumidores será bem menor", afirma a nota divulgada pelos dois ministérios.
Pelos cálculos dos técnicos do governo, a elevação dos preços da gasolina na bomba deverá chegar "no máximo" a 6,5%. O diesel, por sua vez, ficará em média 5,6% mais caro. O gás de cozinha subirá 3,5% nas regiões onde o preço continua tabelado.
Considera explicou que o preço ao consumidor sobe menos do que na refinaria por causa da composição de custos nos postos de gasolina e nas distribuidoras. "A matéria-prima é apenas um dos itens de custos na revendedora, por isso o aumento para o consumidor não será necessariamente de 9%", disse o secretário.
Inflação - Ele disse desconhecer qual será o impacto do reajuste na inflação. "Como os preços são liberados, não sabemos exatamente quanto subirá em cada lugar", comentou. De qualquer maneira, segundo assegurou, o aumento nos preços dos combustíveis não prejudicará o cumprimento da meta de inflação, que é de 8% para este ano, na variação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
A desvalorização do câmbio, em janeiro, e a elevação dos preços internacionais do petróleo, registrada a partir de março, são as principais responsáveis pela sucessão de aumentos autorizados aos preços dos combustíveis. Desde janeiro até agora
os reajustes médios autorizados pelo governo somam 62,3%. Nesse mesmo período, segundo levantamento feito pelo governo, o preço internacional da gasolina subiu 87%, o do diesel aumentou 60% e o do gás de cozinha, 77%. Na nota, os técnicos informam que se todo o efeito da desvalorização do real e da elevação do petróleo fossem repassados ao consumidores, o reajuste teria sido da ordem de 190% para a gasolina, 150% para o diesel e 175% para o gás.
Conta-petróleo - A diferença entre o custo do petróleo importado e os preços pagos pelos consumidores tem sido coberta por uma conta chamada Parcela de Preço Específico (PPE). Esta, no entanto, precisa ser recuperada, segundo informa a nota.
No acordo firmado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), consta que a conta-petróleo, alimentada pela PPE, teria de gerar um superávit de R$ 5,9 bilhões neste ano. Considera informou, porém, que o saldo a ser atingido não precisará ser tão elevado. "Houve ganhos fiscais em outras áreas, de modo que o superávit não precisará ser dessa ordem", afirmou - sem, no entanto, revelar a nova projeção. Ele explicou, ainda, que a pressão por novos aumentos nos preços dos combustíveis deverá diminuir nos próximos meses, se for confirmada a expectativa de queda nos preços internacionais de combustíveis.
"Embora esteja atento a essas recomendações técnicas, o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, determinou expressamente que se adote a opção de minimizar, nos preços internos dos derivados, os impactos de curto prazo das variações cambiais e da cotação internacional do petróleo", diz a nota. "Daí decorre também a orientação transmitida pelo presidente da República para que seja inferior a 10% o reajuste médio ponderado agora anunciado para as refinarias."


