Combustíveis e lubrificantes pressionam índice no semestre
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terça-feira, 06 de julho de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 7 (AE) - Combustíveis e lubrificantes formaram a categoria que mais contribuiu para a aumentar o índice de inflação no primeiro semestre deste ano. Com o aumento de 18% no preço de refinaria autorizado pelo governo em junho, o acumulado deste item chega a 23%, segundo cálculo da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Onze categorias de produtos tiveram reajuste de preço acima de 10%, porcentual alto se comparado à meta do governo de inflação de 8% para este ano.
O chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV, Paulo Sidney Cota, não acredita que a decisão do governo de fazer o preço dos combustíveis flutuar de acordo com as oscilações internacionais do preço do petróleo possa desencadear uma onda de aumentos.
Na época da hiperinflação, o reajuste da gasolina trazia a reboque aumentos em quase todas as categorias de produtos. "Por ora não há este risco", diz Cota. "Este é um impacto típico de economia superaquecida, o que não é caso atual, com o quadro de recessão que reduziu muito o consumo."
Mesmo assim, o aumento dos combustíveis deve ter impacto direto sobre a inflação deste mês. No varejo, o reflexo deverá ser de 0,36% de variação positiva no Índice de Preços ao Consumidor (IPC). Já para a indústria, a variação prevista é de 0,77% no Índice de Preços por Atacado (IPA).
Mas, a gasolina não é o único vilão da inflação. Até maio, quando acumulava reajuste de 13%, este item ocupava o sexto lugar na lista dos que mais pressionaram a taxa. Antes vinham jornais e revistas (17%), fotografia (16,5%), óleos e gorduras (16%), material de pintura (14,6%) e massas e farinhas (14,1%).
Também tiveram aumentos acima de 10% no acumulado do semestre pães e biscoitos (11,2%), equipamentos elétricos (10 6%), material de limpeza (10,2%) e laticínios (10,2%). Os medicamentos, que subiram 9,7% até maio, com o aumento de junho passaram para 13%.


