Comboio sai de Uberlândia para Brasília com 500 caminhões
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domingo, 15 de agosto de 1999
Por Kelly Lima 
Uberlândia (MG), 16 (AE) - O comboio dos produtores rurais deixou esta manhã o Parque Permanente de Exposições de Uberlândia, onde passou a última noite antes de chegar a Brasília. No total, segundo a Polícia Militar Rodoviária, o comboio já soma cerca de 500 caminhões, 50 a mais do que na chegada ao município.
O diretor do Sindicato Rural de Uberlândia, Eduardo Crosara, estima que pelo menos outro 150 veículos deverão se juntar ao comboio, vindos de outras regiões de Minas Gerais. A próxima parada, para o almoço, será em Campo Alegre de Goiás. O município de Cristalina deverá ser a última parada da frente que saiu do Rio Grande do Sul na quarta-feira passada, com cerca de 200 caminhões.
A previsão é que o último percurso dessa frente, até Brasília, seja feita por cerca de 800 caminhões, mas é possível que esse número cresça ainda mais, com as adesões feitas por agricultores no meio do caminho, segundo estima Liberato Rocha Caldeira, um dos coordenadores da frente paulista. Outros 45 ônibus já seguiram em direção a Brasília, antes da saída dos caminhões.
Segundo a Polícia Militar Rodoviária, o comboio deverá formar uma fila, em marcha lenta, de pelo menos 40 quilômetros. A previsão é chegar em Brasília por volta das 19 horas, mas a entrada na Esplanada dos Ministérios deve acontecer somente às 21 horas.
Segundo as lideranças do movimento, já existem máquinas agrícolas posicionadas próximo à sede da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), em Brasília. Os caminhões que vieram dos estados do Sul estão vazios, mas os veículos que estão partindo de São Paulo e Minas deverão levar alimentos (açúcar, feijão e arroz) para serem distribuídos no programa Comunidade Solidária.
Retorno - O coordenador da Federação de Agricultura do Rio Grande do Sul, João Carlos Machado, afirmou que o comboio dos produtores rurais tem data definida apenas para chegar a Brasília. "Não há como determinar a data de retorno. Estamos preparados para ficar até uma semana", disse ele. Quanto à possibilidade de votação da Medida 4/20/40, na quarta-feira, no Congresso Nacional, não estabelece, segundo ele, o fim das negociações do setor com o governo.
A medida prevê quatro anos de carência, com 20 anos de prazo para pagamento e 40% de abatimento das dívidas. "Com essa medida, teremos de volta o que nos foi cortado com os planos Collor e Real. Ainda nos falta negociar custeio e geração de renda no campo. Não adianta nada falar somente em dívida, sem falar em renda", comentou ele, reafirmando decisão do grupo de só sair de Brasília com alguma proposta do governo nesse sentido.
A Associação dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul, por exemplo, uma das melhores representada no comboio, pretende negociar a liberação de uma parcela maior para o custeio da produção, além de mudanças na concessão de crédito do Banco do Brasil.
Segundo o agricultor Levi Pradella, o custeio é de R$ 500,00 por hectare, enquanto somente o custo com insumos chega a R$ 1,4 mil, por hectare, para uma produtividade média de 105 sacas por hectare, com cotação de R$ 12,80 a saca. "Este ano, precisa ser levado em conta que o custo da produção aumentou até 40% por conta da desvalorização, e ainda tivemos de pagar juros de cheque especial, já que não houve dinheiro a título de financiamento agrícola para custeio", reclamou.


