Comboio comete abusos na zona sul
São Paulo, 15 (AE) - A Kombi de placa CSW-8352, levando soldados da Guarda Civil Metropolitana (GCM), trafegou por vários quarteirões com a porta aberta durante blitz hoje pela manhã, na zona sul de São Paulo. Logo atrás dela, a picape S-10 placa COH-0306, com fiscais, fazia perigosas manobras, em ziguezague.
Num cruzamento da Avenida Nossa Senhora do Sabará, no bairro Campo Grande, a mesma S-10 entrou na contramão para impedir a passagem de um perueiro. Acuado, o perueiro deu marcha à ré. A perua estava cheia. Quase houve um choque com os veículos que vinham atrás. "Me assustei quando vi a fiscalização e nem pensei, ia fugir mesmo", disse o perueiro Carlos Alberto Ferreira, de 38 anos.
Manobras e procedimentos arriscados e ilegais são rotina nas blitze da São Paulo Transporte (SPTrans) e da GCM. Apesar da afirmação do diretor de Operações da SPTrans, major Luís Flaviano Furtado, de que as perseguições aos clandestinos seriam evitadas, em razão dos riscos sofridos pelos passageiros, elas continuaram hoje.
Para alcançar as peruas, os integrantes do comboio de fiscais da Prefeitura cruzavam sinais vermelhos, atravessavam canteiros e faziam retornos proibidos. "O motorista ia fugir, fiquei apavorada, podia acontecer o pior", afirmou a passageira Dora dos Santos, de 38 anos, que desceu de um lotação clandestino abordado bruscamente em Santo Amaro.
Na Rua Olívia Guedes Penteado, na região de Interlagos, o comboio interrompeu o tráfego e parou duas peruas. Os passageiros desceram assustados. Três mulheres abordadas pela reportagem não conseguiram dar declarações, de tanto que tremiam. "Tenho raiva deles, raiva", disse outra passageira. "Aqui é tudo trabalhador, eles têm de ir em cima de bandidos."
De acordo com a SPTrans, no período da manhã foram apreendidas 34 peruas clandestinas. Um ônibus ilegal também foi apreendido. Seu motorista não tinha nem sequer habilitação.





