Lisboa, 28 (AE) - O combate ao descontrole dos hedge funds vai ter nova munição. Uma força-tarefa formada pelos organismos controladores das bolsas de valores de todo o mundo - a International Organization of Securities Comissions (Iosco) - deverá lançar suas propostas numa reunião em Toronto, Canadá, no final de setembro.
Em Lisboa, onde a força-tarefa teve sua quarta e penúltima reunião, ficaram definidos dois campos em que deverão ser tomadas medidas para evitar casos como o do Long Term Capital Management, que afundou em dívidas de quase US$ 1,3 trilhão e quase provocou um colapso do sistema.
"A primeira medida é melhorar a qualidade dos sistemas de gestão estatística de risco dos fundos", conta Eucherio Rodrigues, o representante brasileiro no grupo. Os fundos são geridos segundo um sistema Value at Risc (VAR) - que avalia os riscos.
Segundo Rodrigues, quando estourou o fundo Long Term Capital Management, verificou-se que o VAR com que ele funcionava tinha lacunas. "Normalmente funcionava bem, era considerado de baixo risco, apesar da alavancagem. Mas na situação em que o VAR não previa de crise cambial, quase colocou em risco todo o sistema financeiro internacional".
A segunda parte do trabalho ainda não está concluída e encontram-se em cima da mesa várias propostas. Uma primeira medida que o grupo estuda é ampliar os requisitos de informação dos fundos. As informações que poderiam ter de ser divulgadas seriam o grau de alavancagem, a composição da carteira e a exposição ao risco do segmento de ativos.
Outra proposta é obrigar os fundos que operam a partir de países com menores regulamentações a prestar essas informações ao público. Para Rodrigues, esta proposta procura isolar os locais com menos normas, como é o caso de fundo sediados no Caribe que atuam nos Estados Unidos.
"Ninguém sabe como são constituídos exatamente os hedge funds. Estamos estudando a forma de encorajar a transparência desse fundos. Ainda não sabemos se os reguladores vão exigir informações diretamente aos hedge funds, se vão exigir informações aos intermediários ou apenas encorajar a divulgação de informações sensíveis ao público".
Segundo Rodrigues, além da Iosco, mais dois trabalhos estão sendo realizados no sentido de dar maiores garantias aos hedge funds. "A própria indústria dos hedge está se organizando
mas não sabemos se isso será suficiente para dar maior transparência".
Também já se encontra pronto o trabalho realizado sob iniciativa da presidência norteamericana com propostas para o problema, tendo em vista o fluxo de capitais entre os países. O relatório do presidente foi elaborado pelo tesouro norteamericano, pelos dois organismos reguladores das bolsas dos Estados Unidos - o de futuros e commodities e o da bolsa de valores - e pelo Federal Bank.
O Brasil é o único país emergente que participa na task-force da IOSCO. Estão presentes também os organismos reguladores da Inglaterra, Alemanha, Japão, Itália, França, Canadá, Hong Kong e os dois dos Estados Unidos. "Dos países emergentes, o Brasil é o mais importante em termos de fluxo de capitais", diz Rodrigues.

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